O Adata Urban Tapsafe é um SSD externo portátil com uma ideia interessante: você encosta o celular na unidade para liberar o acesso. A ressalva vem logo depois — o NFC controla a visibilidade do SSD no sistema operacional, mas não criptografa os arquivos armazenados. Na prática, ele oferece uma camada conveniente de controle de acesso, não a proteção criptográfica de uma unidade com criptografia de hardware.
A ADATA anuncia leitura e gravação sequenciais de até 1.900 MB/s, e a Tom’s Hardware confirmou que o modelo consegue atingir essa faixa em cargas curtas. Porém, no teste de gravação contínua da publicação, o desempenho caiu para cerca de 250 MB/s depois que a cache foi preenchida e ficou abaixo de 70 MB/s perto do fim do teste de 15 minutos. O Urban Tapsafe faz mais sentido para quem realmente quer NFC, compartilhamento controlado e um clipe integrado — não para quem busca apenas o maior desempenho sustentado ou segurança de alto nível.
Também há uma limitação importante para quem está pesquisando no Brasil: a evidência disponível não confirma preço nem disponibilidade locais. Portanto, não há conversão de valores estrangeiros para reais aqui.
O que o NFC realmente resolve
O NFC do Urban Tapsafe resolve uma tarefa específica: impedir que a unidade apareça para o computador até que o usuário faça a autenticação pelo aplicativo. Quando o SSD está bloqueado, o sistema operacional não o reconhece; depois do desbloqueio, ele fica visível para uso.
O fluxo descrito pela Tom’s Hardware é direto:
- Instale o aplicativo Urban Tapsafe.
- Configure a unidade e crie a senha.
- Abra o aplicativo e escolha a opção de desbloqueio.
- Encoste o celular na área NFC do SSD.
- Após a autenticação, a unidade passa a aparecer no sistema operacional.
O ponto que merece atenção é a diferença entre controle de acesso e criptografia. Segundo a análise da Tom’s Hardware, o Urban Tapsafe não cifra nem decifra os arquivos durante o desbloqueio e não oferece criptografia de hardware. Se alguém retirar o SSD do gabinete ou tiver acesso físico suficiente para tentar contornar o mecanismo, o NFC não deve ser tratado como uma barreira criptográfica de alta garantia. A própria Tom’s Hardware observa que o sistema não é tecnicamente tão seguro quanto a criptografia AES tradicional.
Isso não torna o recurso inútil. Para evitar que outra pessoa conecte a unidade e veja seu conteúdo por acidente, o bloqueio é prático. Para proteger dados sensíveis contra acesso técnico ou desmontagem, procure uma solução que declare criptografia adequada — e confirme essa especificação antes da compra.
Compartilhamento com até nove pessoas
O aplicativo permite adicionar até nove usuários adicionais, com dois níveis de permissão: somente leitura ou leitura e gravação. O proprietário gera um código QR, e o convidado precisa do aplicativo e de acesso físico ao SSD para concluir o processo.
Esse modelo é útil em um fluxo colaborativo: uma pessoa pode permitir que outra copie arquivos sem autorizar alterações, por exemplo. Mas há duas condições que não devem passar despercebidas: o convidado precisa alcançar fisicamente a unidade, e o compartilhamento não transforma os arquivos em dados criptografados. É controle de quem pode liberar o dispositivo, não uma política completa de segurança de dados.
A ADATA e a COMPUTEX destacam justamente esse conjunto de NFC, acesso para vários usuários e uso móvel. O vídeo oficial abaixo é material promocional, não um teste independente de desempenho ou segurança.
Design, clipe e portabilidade
O Urban Tapsafe está disponível em capacidades de 1 TB e 2 TB. A unidade mede 68,68 x 36,18 x 19,18 mm e pesa 72,61 g segundo a especificação usada pela Tom’s Hardware. O produto tem conexão USB-C com interface USB 3.2 Gen2x2 de 20 Gbps, além de capas frontais magnéticas intercambiáveis.
O clipe integrado é uma das características mais práticas para criadores. Ele pode ser preso a bolsos, bolsas, rigs de câmera e suportes para smartphones. A abertura, porém, é de aproximadamente meia polegada — suficiente para materiais finos, mas limitada para superfícies mais espessas. É um detalhe pequeno no papel e decisivo no uso real. Um clipe que não abraça o seu equipamento vira apenas uma alça decorativa com pretensões.
As fontes também descrevem uma estrutura metálica prateada e uma cobertura com 50% de plástico reciclado pós-consumo. A embalagem inclui cabo USB-C, acessório de clipe e uma capa magnética decorativa adicional. A garantia informada pela ADATA é de cinco anos.
Especificações principais
| Atributo | Valor |
| Tipo | SSD externo portátil |
| Capacidades | 1 TB e 2 TB |
| Interface | USB 3.2 Gen2x2, USB-C, 20 Gbps |
| Leitura sequencial anunciada | Até 1.900 MB/s |
| Gravação sequencial anunciada | Até 1.900 MB/s |
| Dimensões | 68,68 x 36,18 x 19,18 mm |
| Peso | 72,61 g |
| Acesso | NFC pelo aplicativo Urban Tapsafe |
| Criptografia de hardware | Não oferece, segundo a Tom’s Hardware |
| Usuários adicionais | Até nove, com acesso somente leitura ou leitura e gravação |
| Garantia | Cinco anos |
| Compatibilidade declarada | Windows, macOS, Android, iOS, Linux e consoles modernos |
Desempenho: rápido no pico, instável em gravação longa
A ADATA anuncia até 1.900 MB/s em leitura e gravação sequenciais. Para chegar perto desse teto, o computador precisa de uma porta compatível com 20 Gbps; conectar o SSD a uma porta mais lenta limita o resultado antes mesmo de qualquer discussão sobre a unidade.
Nos testes da Tom’s Hardware, o modelo de 2 TB foi avaliado em uma plataforma com Ryzen 7600X, placa-mãe Asus ROG Crosshair X870E Hero e suporte nativo a USB4. A bateria de testes incluiu PCMark 10, DiskBench, CrystalDiskMark 8 e um teste de gravação sequencial sustentada de 15 minutos no Iometer.
Em transferências sequenciais curtas, o resultado ficou alinhado ao posicionamento da ADATA. O gráfico de CrystalDiskMark registra 1.985,39 MB/s em leitura e 1.904,2 MB/s em gravação para o Urban Tapsafe. Já no DiskBench, a Tom’s Hardware mediu 897 MB/s em leitura, e o SSD marcou 936 pontos no PCMark 10 para unidade de dados.
O teste mais revelador foi o de gravação prolongada. Nos primeiros cinco minutos, a unidade manteve aproximadamente 1.800–1.900 MB/s. Depois que a cache se esgotou, o resultado caiu para cerca de 250 MB/s e, próximo do fim dos 15 minutos, ficou abaixo de 70 MB/s.
A conclusão é simples: os 1.900 MB/s são uma referência válida para rajadas curtas, não uma promessa de gravação contínua. Para copiar projetos, fotos ou vídeos em lotes moderados, o desempenho pode ser adequado. Para registrar grandes volumes de dados sem interrupção — como longas sessões de captura ou fluxos profissionais de gravação — essa queda precisa entrar na conta.
A Tom’s Hardware também encontrou resultados de leitura inconsistentes inicialmente. Depois de apagar a unidade com segurança usando o DiskPart e formatá-la novamente, os resultados ficaram consistentes e próximos da classificação da ADATA. A publicação não estabeleceu que o problema tivesse sido causado por firmware, e essa observação deve ser entendida como um achado daquela unidade testada, não como uma falha universal do produto.
A queda de velocidade em uma frase
O Urban Tapsafe é veloz no primeiro trecho da transferência; quando a cache acaba, ele deixa de se comportar como um SSD de 1.900 MB/s.
Existe preço ou disponibilidade no Brasil?
Não foi possível confirmar, na evidência fornecida, um preço em reais nem disponibilidade de varejo para o Brasil. Também não há uma análise independente brasileira incluída no material consultado.
Por isso, valores estrangeiros não devem ser apresentados como referência local. A Tom’s Hardware citou US$ 391 como preço de referência para o modelo de 2 TB e US$ 411 na Amazon no momento da publicação de sua análise; esses valores são históricos e específicos dos Estados Unidos. O relatório também registra preços europeus para o modelo de 1 TB, mas eles variam por país, loja e data.
Se o Urban Tapsafe aparecer em uma loja brasileira, confirme o modelo, a capacidade, a política de garantia e o preço no momento da compra. Sem essa checagem, qualquer valor em reais seria apenas uma estimativa — e não uma informação verificada.
Alternativas: onde está o custo do recurso NFC?
Na comparação de preços citada pela Tom’s Hardware para modelos de 2 TB nos Estados Unidos, o Urban Tapsafe aparecia por US$ 391 como referência e US$ 411 na Amazon. O Crucial X10 era citado a US$ 368, enquanto o Team Group PD20 aparecia a US$ 235.
Esses produtos oferecem uma relação de preço mais favorável na comparação apresentada, mas não reproduzem os diferenciais que justificam o Urban Tapsafe: o desbloqueio por NFC, o compartilhamento pelo aplicativo e o clipe integrado. O Team Group PD20, em particular, aparece como uma alternativa muito mais barata no valor citado, mas a evidência fornecida não aponta que ele tenha os recursos de acesso do modelo da ADATA.
A decisão, então, não deve ser feita apenas pela capacidade. Pergunte primeiro qual problema você precisa resolver:
- Quer apenas muito espaço e bom preço? As alternativas citadas merecem atenção, especialmente se NFC e clipe não forem importantes.
- Precisa compartilhar fisicamente uma unidade com permissões diferentes? O Urban Tapsafe é mais interessante graças ao aplicativo e aos até nove usuários adicionais.
- Trabalha com gravações muito longas e contínuas? A queda abaixo de 70 MB/s no teste da Tom’s Hardware é um alerta relevante.
- Precisa de proteção criptográfica dos arquivos? Não escolha o Urban Tapsafe presumindo que o desbloqueio NFC substitui criptografia de hardware.
Veredito: para quem o Urban Tapsafe faz sentido?
O Urban Tapsafe é uma escolha de nicho, mas uma escolha coerente para quem valoriza o acesso por aproximação, precisa compartilhar uma unidade com outras pessoas ou quer prender o SSD a uma bolsa, rig de câmera ou suporte de smartphone. A interface de 20 Gbps e o desempenho de curta duração também entregam velocidade suficiente para muitos usos cotidianos.
Ele perde força em três cenários: quando o preço é o critério principal, quando a carga envolve gravação contínua de grandes volumes e quando a prioridade é criptografia de arquivos. Nesses casos, os concorrentes citados podem oferecer melhor valor, enquanto uma unidade com criptografia declarada atende melhor ao requisito de segurança.
Para leitores brasileiros, o próximo passo é verificar se o produto realmente chegou ao varejo local e qual é o preço atual. A avaliação técnica internacional é clara; a situação comercial no Brasil, não.
Conclusão: o Adata Urban Tapsafe é um SSD externo rápido e engenhoso, com um NFC genuinamente útil para controle de acesso e compartilhamento. Só não confunda conveniência com criptografia — essa é a fronteira que define se ele é adequado para você.