Quando falamos em Commodore, automaticamente pensamos no clássico Commodore 64, mas antes dele existiu o Commodore PET, lançado em dezembro de 1977. Alguns entusiastas encaram esse computador como um desafio ainda maior, e foi isso que levou Thorbjörn Jemander a conectar seu próprio PET à internet para reproduzir vídeos do YouTube. Obviamente, o projeto exige hardware extra, mas um computador com mais de quatro décadas não torna as coisas nada fáceis...

Assistindo YouTube em um Commodore PET
YouTube em um Commodore PET

Como conectar um computador antigo à internet? O primeiro passo lógico é explorar suas interfaces, e em alguns casos a retrocompatibilidade é tão ampla que não é raro encontrar máquinas com Windows 3.11 navegando na web. Também há exemplos mais extremos, como um Commodore 64 enviando tuítes, mas hoje vamos voltar ainda mais no tempo, para a era do Commodore PET.

A comunidade criou todo tipo de adaptadores e conversores compatíveis com o PET, mas Thorbjörn Jemander teve a ideia de conectar seu próprio equipamento à internet para assistir vídeos do YouTube. Além dos limites naturais nas interfaces do PET, Thorbjörn também enfrenta a falta de recursos gráficos. Tudo o que tem para trabalhar é uma grade de 80 x 25 caracteres, ou 60 kilobytes por segundo a 30 FPS...

Como reproduzir vídeos do YouTube em um Commodore PET

Nem é preciso dizer que um projeto com essas características requer hardware adicional, e o Raspberry Pi Zero 2 W é um excelente candidato por tamanho e suporte a WiFi. Mas excelente não significa perfeito, e boa parte do desafio está em fazer o Pi iniciar o vídeo do YouTube, reduzir a resolução para 640 x 200 pixels em escala de cinza e transformar cada frame em 80 x 25.

A outra metade da equação é que o PET receba esses caracteres em sua memória de vídeo com rapidez suficiente. Para isso, o adaptador de Thorbjörn usa 2 KB de SRAM, que permitem ao Raspberry Pi armazenar frames e evitar que o Commodore PET engasgue. Depois de confirmar que o vídeo chega a 30 FPS com uma cópia local, Thorbjörn avançou na fabricação do PCB, que não esteve livre de problemas. Um erro maior (o conector GPIO do Raspberry estava invertido) exigiu uma segunda revisão, e com esse detalhe resolvido, o adaptador BlixTerm se tornou realidade.

Assistindo YouTube em um Commodore PET
O primeiro PCB funcionou bem, mas tinha alguns erros como o GPIO invertido

O vídeo é basicamente um mini documentário de 37 minutos que explica todo o processo técnico, mas vale a pena assistir do início ao fim. Agora, é inevitável pensar que o Raspberry Pi Zero 2 W tem centenas de vezes o poder de fogo de um Commodore PET; no entanto, ver dois sistemas tão diferentes trabalhando juntos para reproduzir vídeos do YouTube a 30 FPS é realmente fascinante.

**Fontes:** Thorbjörn Jemander, Hackaday