O conceito de independência tecnológica não é tão simples de desenvolver, mas alguns dos governos mais importantes do mundo decidiram aceitar o desafio para adequar sua infraestrutura a médio e longo prazo. Anteriormente falamos sobre o interesse da China em criar processadores nacionais, porém, desta vez vamos à Rússia, onde encontramos o novo Baikal-S da Baikal Electronics. Trata-se de um processador ARM equipado com 48 núcleos, uma frequência máxima de 2,5 GHz e um TDP de apenas 120 watts, o que destaca sua aparente eficiência.
Não são poucos os que acreditam que o duopólio Intel/AMD é ruim para a indústria, e alguns governos aparecem no topo da lista. As suspeitas sobre portas traseiras no silício ocidental seguem tão vivas quanto sempre, e nunca falta a sanção comercial que proíbe a importação de recursos ou a chegada de certos processadores a diferentes territórios. O escândalo mais recente com essas características respingou na Intel, que anunciou um bloqueio ao uso de bens e/ou serviços provenientes de Xinjiang (em resposta ao maltrato das minorias uigures por parte do governo chinês)... apenas para se arrepender em tempo recorde. A China representa 25 por cento das receitas internacionais da Intel.
Então... política. Existem muitas razões econômicas para um país desenvolver silício, mas o fator político não deve ser levado de forma leviana. Com isso em mente, vamos à Rússia e à empresa Baikal Electronics, que anunciou o lançamento de seu novo processador Baikal-S. Seu codinome é BE-S1000, e está fazendo barulho na mídia graças aos seus 48 núcleos ARM Cortex-A75.
Baikal-S: 48 núcleos ARM para aplicações B2B
As informações disponíveis nos falam de um chip com 48 núcleos Cortex-A75 operando a uma frequência base de 2,0 GHz, e um modo Turbo que sobe para 2,5 GHz. Inclui um coprocessador RISC-V para operações de administração e safe boot, de modo que o chip completo é controlado com um design personalizado. Também notamos que um servidor pode aceitar até quatro desses processadores, cada um dentro de um pacote térmico de 120 watts. A página oficial sugere que o Baikal-S foi projetado para servidores, armazenamento e sistemas de alto desempenho no segmento B2B ou business-to-business.
Como se isso fosse pouco, a empresa compartilhou alguns benchmarks, baseados em PEC2006, Coremark, Whetstone, 7-Zip e HPLinpack. Os números colocam o Baikal-S em níveis semelhantes aos do Intel Xeon Gold 6148 (Skylake, 2017) e do AMD EPYC 7351 (Zen 1, 2017), enquanto equivale a 0,85x do Huawei Kunpeng 920 (que o gigante chinês oferece em uma placa-mãe normal) com o mesmo número de núcleos. A Baikal Electronics planeja fabricar 10.000 chips em 2022 e elevar sua produção para 30.000 unidades em 2023.
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Fonte: TechPowerUp