Segundo relato publicado em 21 de setembro de 2026, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, disse que autoridades americanas e chinesas discutiram a criação de um mecanismo de diálogo sobre IA e a notificação de incidentes capazes de afetar a segurança nacional. A ideia é abrir uma via para tratar riscos comuns em meio à disputa tecnológica entre os dois países.
O que poderia entrar no diálogo entre os dois países
A proposta mencionada por Bessent prevê conversas sobre IA e avisos sobre incidentes com possíveis consequências para a segurança nacional. Um canal desse tipo poderia ajudar governos a compartilhar informações sobre uma ocorrência antes que ela seja interpretada como uma ação deliberada do outro lado.
O tema também aparece em propostas voltadas à IA militar — sistemas de inteligência artificial usados em atividades das forças armadas. Em 9 de setembro, Melanie W. Sisson, pesquisadora sênior da Brookings Institution, e Tianjiao Jiang, professor associado da Fudan University, publicaram um comentário conjunto sobre manter o controle humano nessa área.
As propostas atribuídas a Sisson e Jiang incluem estabelecer limites em torno dos sistemas nucleares dos Estados Unidos e da China, preservar a supervisão humana em operações cibernéticas de consequências graves e criar um canal direto de comunicação militar para tratar de incidentes relacionados à IA.
Como uma falha poderia virar uma crise
O cenário de escalada é hipotético: uma intrusão cibernética ligada à IA ou uma resposta defensiva automatizada poderia ser atribuída ao outro país e provocar retaliação antes que os governos entendessem o que aconteceu. A comunicação direta e a supervisão humana são apresentadas como formas de reduzir esse risco de atribuição equivocada.
Essas medidas tratam de dimensões diferentes. A notificação discutida por autoridades abrangeria incidentes de IA que afetassem a segurança nacional; a proposta de canal militar se concentraria na comunicação entre forças armadas durante uma possível crise. Os limites em torno dos sistemas nucleares e o controle humano de operações cibernéticas completam esse conjunto de salvaguardas.
Rivalidade tecnológica, cooperação limitada
A cooperação sobre riscos específicos é diferente de um acordo amplo para desacelerar o desenvolvimento da IA. Dario Amodei, CEO da Anthropic, defende reduzir o ritmo de avanço das capacidades dos modelos de fronteira para que o trabalho de segurança consiga acompanhar a tecnologia. Essa proposta trata do ritmo geral do desenvolvimento, não de um canal bilateral para incidentes militares. Uma discussão anterior sobre o ritmo da IA de fronteira aborda essa outra frente.
Pequim contesta a definição unilateral de regras de segurança e critica a associação dessas propostas a restrições sobre chips avançados. Nesse contexto, a cooperação em temas delimitados — como testes, comunicação de incidentes e riscos cibernéticos e biológicos — surge como uma possibilidade mais viável do que um pacto amplo para frear o desenvolvimento da IA.