Em um experimento de campo realizado em 2024 em Kärrbo Prästgård, na Suécia, o brócolis cultivado sob painéis solares magenta levou 104 dias após o transplantio para amadurecer, contra 79 dias no controle a pleno sol — uma diferença de 25 dias. A equipe da Mälardalen University comparou duas versões de painéis semitransparentes com a área de controle no estudo publicado em Cell Reports Physical Science.

A eficiência maior não significou mais brócolis

Os pesquisadores mediram a eficiência de uso da radiação (RUE, na sigla em inglês), que relaciona o crescimento da planta à radiação recebida. O índice foi 4,5 vezes o valor do controle no tratamento T50 e 2,8 vezes no T70. Isso não quer dizer que as plantas produziram 4,5 ou 2,8 vezes mais: a taxa absoluta de fotossíntese foi maior no controle a pleno sol.

A diferença de luz ajuda a entender o resultado. A densidade de fluxo de fótons fotossintéticos (PPFD), uma medida da luz disponível para a fotossíntese, teve média máxima de 925 ± 17 μmol m⁻² s⁻¹ no controle. Sob os painéis, foi de 143 ± 2 no T50 e 207 ± 4 no T70.

MedidaASP-LAM2-T50ASP-LAM2-T70
Transparência indicada pelo fabricante50%70%
Transmitância média de radiação fotossinteticamente ativa (PAR)13,2%19,2%
Dias até a maturação após o transplantio104104
RUE em relação ao controle a pleno sol4,5×2,8×
PPFD média máxima143 ± 2 μmol m⁻² s⁻¹207 ± 4 μmol m⁻² s⁻¹

Os rótulos de transparência dos módulos não correspondem à fração de PAR que chegou às plantas: as transmitâncias médias medidas foram menores. No modelo de uso conjunto da terra e geração de energia, os autores escolheram o T50, que combinou rendimento agrícola comparável ao do outro tratamento com maior produção de energia segundo o modelo.

Nutrientes e uso da terra

Na segunda coleta, as concentrações de micronutrientes eram menores nas plantas sob os painéis, enquanto as de macronutrientes eram comparáveis às do controle. O resultado descreve as plantas avaliadas nesse experimento; não mede efeitos sobre a saúde nem estabelece uma diferença geral na qualidade dos alimentos.

O estudo calculou uma razão equivalente de uso da terra (LER) de 1,18 para uma única colheita. Esse índice foi modelado com uma hipótese conservadora de perda de 40% da área e não representa um aumento medido de 18% na produção de brócolis. A equipe também estimou 447,6 kWh de geração ao longo do período de cultivo para um sistema de 1,1 kWp. São resultados de um modelo ligado à configuração estudada, não uma avaliação de retorno comercial.

O alcance de uma parcela por tratamento

O ensaio avaliou uma cultivar de brócolis, em um local e durante uma safra, com uma parcela para cada tratamento. As seis plantas amostradas por tratamento em cada rodada eram subamostras, não repetições independentes da parcela. Por isso, os autores descrevem as comparações estatísticas como exploratórias e sujeitas a pseudorrepetição. O experimento foi feito ao ar livre, e seus resultados não estabelecem o desempenho em outras culturas, lugares ou condições de cultivo.