As câmeras mirrorless quase sempre apresentam histórias de equilíbrio e adaptação diante das exigências modernas. Qualidade de imagem, portabilidade, vídeo em alta definição, um custo razoável. O pessoal da Canon não é alheio a essas histórias, mas a sensação entre o público é que, apesar das recomendações, suas mirrorless ficam um degrau abaixo. A Canon EOS M6 Mark II busca quebrar essa sensação. Um sensor grande, modos de rajada mais que decentes, vídeo 4K e tela articulada em 180 graus definem esta revisão que se perfila como uma das melhores na casa Canon. Será que consegue?

Mirrorless para iniciantes, mirrorless para entusiastas, mirrorless para profissionais. Não são poucos os que acreditam que estamos pedindo demais desse formato, mas ao mesmo tempo, uma boa parte o vê como «o futuro» da fotografia, e tudo o que observamos até aqui não é mais que sua evolução natural. Claro, algumas empresas assimilaram melhor o mirrorless do que outras (Sony e Fujifilm são dois dos exemplos mais citados), mas o lógico é que, mais cedo ou mais tarde, todas se coloquem pelo menos em um nível competitivo.

Assim chegamos à Canon EOS M6 Mark II. Já recomendei várias mirrorless da Canon no passado, incluindo a geração anterior dessa mesma câmera, mas uma parte do público esperava ver especificações mais firmes, sem tantos compromissos no caminho. A EOS M6 Mark II tenta responder começando pelo básico: sensor, qualidade de imagem, portabilidade e funções de vlogging. O que exatamente ela oferece? Vamos descobrir.

Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
Canon EOS M6 Mark II

Canon EOS M6 Mark II: um «Mark II» apropriado

Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
Um design sóbrio e funcional

Anunciada originalmente em agosto do ano passado, a Canon EOS M6 Mark II apresenta um sensor CMOS APS-C de 32,5 megapixels efetivos, respaldado pela oitava versão do processador de imagens DIGIC 8. Sua sensibilidade ISO vai de 100 a 25.600 com um Boost superior de 51.200, enquanto a velocidade do obturador varia entre 1/4.000 e 30 segundos, ou 1/16.000 com o sistema eletrônico.

Sua tela de três polegadas é sensível ao toque e articulada com modo selfie incorporado (180 graus para cima, 45 graus para baixo) e 1,04 milhão de pontos de definição. Na configuração padrão, a Canon EOS M6 Mark II não vem com viewfinder, mas é um módulo opcional em um dos kits, com 2,36 milhões de pontos e cobertura de 100 por cento.

Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
Tela sensível ao toque e articulada, com modo selfie incorporado

O sistema de autofoco na Canon EOS M6 Mark II é baseado em um sistema com 143 pontos de detecção de contraste, um salto considerável em comparação com a EOS M6 tradicional. Os modos gerais de área são quatro: Rosto + Rastreamento, Pontual, 1 Ponto e Zona. Na maioria dos casos, o usuário não precisará sair de «Rosto + Rastreamento», mas a câmera também permite definir o ponto inicial nesse modo, e com o sistema contínuo, obtém-se uma combinação bastante eficaz.

Algo similar podemos dizer do rastreamento de olhos. Não é o mais rápido nesta categoria de câmeras, mas também não é um desastre como muitos anti-Canon sugerem. Em essência, quanto mais próximos da câmera estiverem os olhos a detectar, melhor funcionará. Há espaço para experimentar aqui, e as atualizações de firmware no futuro certamente conseguirão polir todo o sistema.

A velocidade máxima para o modo de rajada com autofoco contínuo é de 14 FPS (7 FPS usando live view), com um buffer de 54 quadros em JPEG e 23 em RAW sem compressão. A alternativa em situações de maior ação é ativar a rajada RAW de 30 FPS, que arrasta algumas condições especiais (menor resolução, apenas sistema eletrônico, processamento de 12 bits e mais) e requer um cartão de alta velocidade, mas que pode tirar mais de um usuário do apuro no momento exato.

Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
Talvez o «Fv» seja uma novidade para você...

O design do flash pop-up e o modo selfie da tela fazem com que a interface da Canon EOS M6 Mark II favoreça o lado direito do corpo, mas além de suas semelhanças com a versão anterior, é impossível ignorar alguns detalhes, começando pela remoção do dial de compensação de exposição. Agora, a compensação é uma entre nove funções disponíveis sob o botão «Dial Func» que modifica o comportamento do dial, e nos permite registrar no máximo cinco. A mudança de modo para o autofoco usa uma alavanca, e tem um botão no meio que podemos reatribuir.

No que diz respeito ao dial de modo, as opções ali são «puramente Canon», com algumas adições interessantes: temos Full Auto e Auto Híbrido, modo de Cenas «SCN», Filtros Criativos (os círculos sobrepostos), Vídeo, Automático Programável «P», Prioridade de Obturação «Tv», Prioridade de Abertura «Av», Manual «M», Prioridade Flexível «Fv» (uma combinação dos quatro anteriores, fixando valores manuais e automáticos), e as entradas personalizáveis C1 e C2. O resto você encontrará no manual, que se estende por mais de 600 páginas (não se preocupe, são pequenas).

Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
1-3 f8 ISO 100
Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
1-4 f8 ISO 100
Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
1-200 f1.4 ISO 100

A boa notícia é que a Canon EOS M6 Mark II tem suporte a 4Kp30 e p25 a 120 megabits por segundo. A má é que a Canon cometeu mais uma vez o erro de ignorar o modo 4Kp24, e deverá incluí-lo através de uma atualização de firmware. Custa muito entender a razão por trás de sua ausência, e como não é a primeira vez que isso acontece, é lógico que os usuários se sintam um pouco frustrados.

Por outro lado, a qualidade do 4K pode ser definida como «padrão»: os vídeos não são impossíveis de usar (e a compressão ao carregá-los online acaba de matar qualquer detalhe), mas há concorrentes diretas que já oferecem 4K com oversampling, o que se traduz em um nível de detalhe superior. O outro lado da moeda revela que o vídeo 4K da EOS M6 Mark II praticamente não sofre os efeitos do rolling shutter. O autofoco é bastante bom aqui, e se você deseja estabilizar, deverá se preparar para um crop importante, ou cortar pela raiz e usar um tripé.

Acessórios para Canon EOS M6 Mark II

O kit completo que inclui uma lente 15-45 e o viewfinder EVF-DC2 eleva o custo da Canon EOS M6 Mark II para uma média de 1.300 euros, mas se você decidir buscar apenas o corpo, as opções podem cair para 850 ou 900 euros. Na hora de buscar acessórios compatíveis, os números continuam bem razoáveis, e é provável que você encontre algo interessante em nossa lista de sugeridos.

Baterias e alimentação

Com uma média de 305 disparos por carga completa, a Canon EOS M6 Mark II consegue melhorar o desempenho de sua antecessora, mas não por muito. Na verdade, 305 disparos podem causar um pouco de ansiedade entre alguns usuários, e por isso recomendo adicionar uma segunda bateria Canon LP-E17 original. São 55 euros, mas ter esse «cartucho extra» na bolsa é uma vantagem que você não deveria se negar.

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Se 300 disparos não são suficientes, você precisará de uma bateria extra

Tripés e suportes

Graças aos seus 408 gramas (com bateria instalada), encontrar um tripé para Canon EOS M6 Mark II não é algo difícil. É mais, hoje vou me inclinar a favor de soluções compactas e ultrapassáveis, em linha com a dinâmica da mirrorless. Primeiro vamos com um clássico, o Clampod Takeway T2. Definitivamente overkill para a EOS M6 Mark II, mas é um companheiro de longo prazo, com carga máxima de 40 quilos, e excelente capacidade de adaptação. E em segundo lugar, temos o Manfrotto Pixi. Seu limite de carga não passa de um quilo, mas você poderá levá-lo e usá-lo onde quiser, e não esqueça o seu modo selfie stick com as pernas fechadas.

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Todo um clássico que continua rendendo

Bolsas e mochilas

Equipamento completo, ou uma saída casual? As mirrorless costumam estar associadas à segunda opção, mas nossa seleção pode cobrir ambos os casos sem dificuldades. Por um lado, a mochila Gloxy Pro AW conta com amplo espaço para receber a EOS M6 Mark II e qualquer outro elemento secundário que a acompanhe. Seu interior é acolchoado e modificável, tem alças largas e confortáveis, e a capa impermeável protege todo o conteúdo da umidade. E por outro, a bolsa Genesis Gear Orion mantém o perfil variável do interior, com um lugar especial para tablets. Seu design geral é bem compacto, e o exterior não chama atenção, algo que sempre apreciamos por questões de segurança.

Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
Definitivamente gosto dela em preto

Cartões

Sim, a Canon EOS M6 Mark II quer um cartão rápido. Não, realmente não vemos outra opção com uma relação custo-benefício superior à que encontramos no SanDisk Extreme Pro de 128 gigabytes. Certificação V30, 170 MB/s de leitura e 90 MB/s de escrita formam a combinação perfeita para receber todo esse vídeo 4K, ou extrair ao máximo os modos de rajada da câmera.

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Por que reinventar a roda?

Lentes

Se você decidir comprar o corpo da Canon EOS M6 Mark II e deixar de lado a lente do kit, precisará de uma ou duas alternativas. A primeira delas é bem econômica, ideal para experimentar, cometer erros e tentar de novo. A lente Meike f/2.0 possui distância focal fixa de 50 milímetros, um valor razoável para uma grande quantidade de aplicações, e encaixa perfeitamente na montagem EF-M. A segunda alternativa é a Tamron 18-200mm f/3.5-6.3, um impressionante curinga que possibilita o salto de grande angular para teleobjetiva sem dor de cabeça. Se você planeja tirar a EOS M6 Mark II da zona de conforto, essa é a lente para isso.

Canon EOS M6 Mark II: otimizando a visão mirrorless
Um investimento forte, mas vale a pena

A Canon EOS M6 Mark II é superior à sua antecessora? Sim. É «a grande mirrorless» que esperávamos do gigante japonês? Bom... depende. As decisões estranhas em relação ao vídeo, os «dores de firmware» e os limites de bateria não foram a lugar nenhum, mas isso não apaga o fato de que estamos diante de uma câmera sólida, e aqueles que gostam de fotografar com Canon (ou queiram aprender a fazer isso) a aproveitarão de ponta a ponta. É o caminho certo, sem dúvida. Boa sorte!