A segurança cibernética vive seus momentos mais sombrios. Com duas grandes campanhas de ransomware em 45 dias, autoridades que insistem em intervir ou destruir sistemas de criptografia, empresas que perdem milhões de dólares em produtividade e usuários completamente desprotegidos, é muito difícil visualizar um futuro positivo. Serão necessárias mudanças muito profundas, tanto no legal quanto no tecnológico, e até que isso aconteça, o CEO e cofundador da Cyberghost Robert Knapp recomenda tratar tudo o que fazemos e dizemos online como se fosse material público.
O cenário atual
Por um lado, temos políticos em posições de poder que não sabem absolutamente nada sobre a Internet e mesmo assim buscam regular ou intervir em seu funcionamento. Depois aparecem as agências especiais, que em nome da “segurança nacional” acumulam exploits e vulnerabilidades há anos. Em terceiro lugar, encontramos as corporações, que se recusam a realizar auditorias públicas em seus principais produtos (“código proprietário”, vocês sabem) e se tornam automaticamente vítimas quando seus sistemas são atacados. O grupo é fechado por todos os usuários conectados, que apesar do medo e da incerteza depositam sua confiança dia após dia em múltiplas plataformas. A situação não é boa, os inimigos da rede estão vencendo, e “puxar o plugue” é uma opção cada vez mais tentadora para o usuário comum...
Por que isso acontece?
O CEO e cofundador da Cyberghost, Robert Knapp, explica que as coisas são muito mais simples para os atacantes. Já não é necessário um conhecimento profundo ou um orçamento muito elaborado na hora de montar um ataque. Tudo se resume a exploits, que aproveitam portas dos fundos criadas por erros dos desenvolvedores, ou guardadas em segredo (e não reportadas) por agências como a NSA. Uma possibilidade seria aplicar tecnologias de criptografia em tudo, mas o problema das portas dos fundos persiste, porque não sabemos se Facebook, Google e o resto têm algo similar em seu código, ou se cooperam com as autoridades. A isso devemos somar a guerra legal que vários governos iniciaram contra a criptografia. Uma das últimas leis de vigilância aprovadas na Alemanha autoriza sem rodeios o uso de malware para acessar o conteúdo de serviços como WhatsApp e Skype.
O que fazer?
De acordo com Knapp, a única maneira de avançar é por meio de processos legislativos. Não se pode parar o ransomware se não existir um marco legal que torne a criptografia padrão e, ao mesmo tempo, se devem revogar todas as leis que habilitem um governo a acumular e usar portas dos fundos. Até que isso passe, tudo o que fazemos online tem que ser interpretado como material público, já que “não há como” garantir a privacidade.