Imagine um gamepad que funcione na maioria dos consoles clássicos. Tivemos muita sorte com os controles que usavam o conector DE9 (também conhecido como DB9), mas depois começaram a aparecer interfaces proprietárias e a magia de trocar controles se perdeu. No entanto, a tecnologia moderna torna possível o conceito de um gamepad multiconsole. Ben Heck realizou esse projeto em seu canal, e o pequeno demônio inclui suporte para Nintendo NES, Super Nintendo, Sega Mega Drive, Sega Master System e os velhos Atari.
O conector DE9 e a era das interfaces proprietárias
Uma das primeiras coisas que me surpreenderam no Commodore 64 foi poder usar no computador os controles que vieram com meu clone do Atari 2600 (que estou sentindo muita falta). A interface DE9, que sempre chamei de 'DB9' e imagino que muitos de nossos leitores também, era muito popular naquela época e chegou até a geração de 16 bits, já que o Sega Mega Drive/Genesis a adotou para seus gamepads.
Claro que isso não impediu que algumas empresas aplicassem ajustes proprietários na interface (o Apple II é um bom exemplo), e com o passar dos anos, o DE9 ficou marginalizado. Hoje, os entusiastas da retroinformática lutam com a escassez de peças e a preservação da 'autenticidade' dos sistemas, mas quem realmente quer jogar com eles não teria problemas em usar uma 'solução universal'. É aí que entra Ben Heck.
O projeto do gamepad multiconsole sem fio
Depois de estudar vários projetos sugeridos por seus fãs, Ben e sua equipe decidiram trabalhar em um gamepad multiconsole, compatível principalmente com as joias da Sega e da Nintendo. Toda a parte sem fio ficou a cargo do popular módulo ESP8266, que especialistas e iniciantes estão hackeando sem parar. Ben usou um como transmissor dentro do gamepad, que registrou um alcance impressionante, e outro como receptor, equipado com conectores físicos para diferentes consoles. A programação dos módulos foi feita com Lua, e a intervenção do firmware NodeMCU.
A duração do vídeo é um bom indício da complexidade do projeto. As diferenças entre o funcionamento dos gamepads de NES e Super Nintendo, a verificação dos registradores em todos os casos e o atalho que adicionou compatibilidade com a Sega (essencialmente cortar um gamepad genérico e aproveitar seu ASIC) colocam o projeto muito acima do que seria apropriado para iniciantes, sem esquecer os recursos que Ben Heck tem em seu show (osciloscópio, várias impressoras 3D, etc.). De qualquer forma, o resultado é excelente, e se alguém acredita que pode fazer algo parecido, adoraríamos ver.