As câmeras IP explodiram em popularidade graças ao seu custo relativamente baixo, ampla disponibilidade e facilidade de instalação como unidades de vigilância. O problema é que, em ocasiões isoladas, o desejo de segurança de um lado esbarra no direito à privacidade do outro, e antes de iniciar um conflito mais profundo, talvez seja melhor explorar a possibilidade de entrar nas câmeras de vigilância do vizinho para verificar o feed. Claro, a ideia é não fazer mal, e o mesmo procedimento se aplica na detecção de outras câmeras virtualmente abertas ao público na web.
“Privacidade vs. segurança”
É provável que a história seja muito familiar para alguns de nossos leitores: um vizinho aleatório decide instalar câmeras de vigilância. Uma das câmeras parece apontar para a minha propriedade por razões que não consigo entender. Talvez outros se sintam mais confortáveis com essa situação... mas eu não. No entanto, antes de iniciar uma reclamação ou ter uma discussão mais complexa, surgiu outra alternativa: Entrar nas câmeras de vigilância do vizinho e verificar o conteúdo do feed.
Felizmente, duas condições pré-existentes me permitiram ter sucesso sem muitos sobressaltos: Temos o mesmo provedor de Internet, então a faixa de IP em suas conexões é idêntica à minha ou muito semelhante, e meu vizinho não sabe nada de segurança da informação. Isso significa que as câmeras estão funcionando com o clássico admin/admin ou admin/1234, dependendo do modelo. No final, o feed da câmera problemática me permitiu confirmar que não estava apontando para a minha casa, evitando uma crise.
Agora, entrar nas câmeras de vigilância foi útil no meu caso específico, e as informações que vou compartilhar a seguir têm apenas fins educativos. Mais uma vez, a ideia é não fazer mal, e também serve como lembrete para revisar a segurança em qualquer dispositivo IP conectado à rede.
Como entrar em câmeras de vigilância
- O primeiro passo é confirmar o endereço IP atribuído pelo provedor. Na verdade, não vamos usar o endereço exato, mas precisamos ter uma ideia da sua faixa. Podemos usar o comando ipconfig no console do sistema, ou simplesmente ir ao Google e digitar my ip.
- Agora que conhecemos o endereço IP, devemos baixar uma cópia do Angry IP Scanner. Como o nome sugere, é uma utilidade open source que nos permite escanear endereços IP tanto em redes locais quanto na Internet, e detectar portas abertas. Embora exista uma edição portátil, recomendo obter o setup, que já inclui todas as suas dependências.
- Antes de trazer à tona o meme do Hackerman (?), temos que fazer alguns ajustes no Angry IP Scanner. Por um lado, devemos ir em Ferramentas -> Preferências, visitar a aba Portas, e adicionar “80,81,90,91,8080,8081,8082” na seção de configuração, que representam as portas mais comuns usadas por câmeras IP. E por outro, vamos em Ferramentas -> Buscadores, e passamos Detectar Web para a seção de plugins ativos.
- Este é o momento de configurar a faixa de IP a ser escaneada. A pergunta é: quão ampla deve ser? Uma faixa muito curta não revelará nada, enquanto processar centenas de milhares de endereços IP por sessão também não faz muito sentido. Pessoalmente, costumo escanear cinco sub-redes acima e abaixo do meu endereço IP. Por exemplo, se o endereço é x.x.45.x, a faixa a usar no Angry IP Scanner vai de x.x.40.0 até x.x.50.255.
- A chave para identificar as câmeras de vigilância está na descrição que aparece sob Detectar Web. Muitos fabricantes colocam sua marca aqui, como é o caso de Hikvision ou Dahua, duas opções muito populares no mercado. Organizar os resultados do Angry IP Scanner é fácil: podemos clicar na coluna Detectar Web e especificar Ordenar por Detectar Web.
- O resto é questão de inserir o endereço IP em um navegador e tentar entrar na câmera, esperando que o responsável não tenha reforçado a segurança. Os clássicos são admin/admin, admin/1234, admin/12345, e outros.
Alternativas?
Se escanear endereços IP e verificá-los manualmente não é uma opção, a primeira alternativa que me vem à mente é Shodan. Ainda com todas as suas restrições, esse buscador de dispositivos conectados à web tem um poder de fogo impressionante. A versão gratuita permite no máximo duas páginas de resultados, e é obrigatório criar uma conta para habilitar os filtros de busca, mas vale a pena fazer esse compromisso.
Outra possibilidade é recorrer ao Insecam, com um perfil mais tradicional em matéria de busca. O plano não é usar o Insecam para localizar câmeras próximas, mas sim para explorar feeds abertos em todo o mundo.
Em resumo: Isso não vai durar
Entrar em câmeras de vigilância pode parecer uma atividade maliciosa na superfície, mas não precisa ser assim. Isso me ajudou a evitar um conflito desagradável (admito que tive muita sorte), e ao mesmo tempo é útil para qualquer usuário que planeje instalar suas próprias câmeras e verificar o nível de exposição em cada unidade.
Dito isso, é muito provável que a prática perca relevância no futuro. Os últimos modelos de câmeras já obrigam seus usuários a configurar senhas fortes desde o início, neutralizando assim a vulnerabilidade de um clássico admin/admin. Boa sorte!