Muitos dispositivos no mercado possuem uma configuração de hardware mais avançada do que imaginamos, e rapidamente se tornam terreno fértil para entusiastas que buscam obter acesso de baixo nível com um único objetivo: Instalar e executar Doom. Com isso em mente, chegamos ao experimento de Josh Max, que pegou um telefone de linha equipado com um SoC ARM e uma versão modificada do Linux, obteve as credenciais root após uma longa espera, e abriu os portais infernais para o marine mais uma vez...
Enquanto parte do mundo avança com a retirada das linhas telefônicas tradicionais, ainda restam muitos produtos e serviços associados a essa tecnologia. Um desses serviços é o CaptionCall, que oferece telefones equipados com um sistema de closed captioning em tempo real, destinados a usuários com deficiência auditiva. Os telefones CaptionCall são subsidiados pelo governo dos EUA (através da FCC e da "Americans with Disabilities Act" de 1990), e não é difícil obter unidades de segunda mão a preços razoáveis (menos de 30 dólares)
Os telefones CaptionCall têm outro detalhe muito interessante: Eles são essencialmente computadores. Em seu blog pessoal, Josh Max explica que um telefone CaptionCall possui um SoC ARMv7 i.MX6, 1 GB de RAM DDR3 e 4 GB de armazenamento NAND. O problema é que seu software está guardado a sete chaves, e ao usar uma versão modificada do kernel Linux, a empresa foi acusada de violar GPL. Josh decidiu não parar por aí, e procedeu a hackear o telefone com uma ideia em mente: Executar Doom.
Como executar Doom em um telefone de linha hackeado
Depois de alguns testes externos, Josh abriu o telefone e encontrou um ponto de acesso UART, que por sua vez permitiu acessar o console do sistema. A conta root estava protegida, mas com um console U-Boot disponível (pressionando "Escape" no primeiro segundo após ligar o telefone), Josh iniciou um dump do firmware via U-Boot sobre conexão serial... o que levou nove horas, e exigiu várias tentativas devido a interferências na comunicação.
Com o dump concluído, Josh usou binwalk para descomprimir a imagem, e "John" (acho que é John the Ripper) para crackear a senha root, que caiu em menos de dez segundos. Na última fase, Josh removeu a interface proprietária do telefone, instalou um chroot para Debian Jessie ARM, reativou áudio, vídeo e suporte a toque, carregou IceWM e, finalmente, DOOM.
A melhor parte? O trabalho de Josh transforma o CaptionCall em uma excelente plataforma de desenvolvimento low cost. Neste momento, ele está realizando engenharia reversa no código (já que a empresa não o compartilha) e espera alcançar aceleração 3D. DOOM é apenas o começo...
Fontes: Blog pessoal de Josh Max, Hackaday