Depois dos roteadores expostos, das câmeras abertas de ponta a ponta e da famosa “Internet das Coisas Inseguras”, é hora de falar sobre Smart TVs. O consultor de segurança Rafael Scheel desenvolveu um ataque baseado no padrão DVB-T de TV digital, usado na Europa, África, Ásia e Oceania. O ataque aproveita a presença de vulnerabilidades no Flash e nos navegadores integrados, habilitando o acesso root sem tocar no aparelho. E a pior parte? Além de ter persistência, pode servir como ponte para atacar outros dispositivos na rede local, ou transformar a Smart TV em um sistema de vigilância.
Você tem uma Smart TV conectada à internet? Tecnicamente, é isso que o fabricante quer, porque sempre existe a possibilidade de oferecer novos serviços e receber atualizações. Mas há um pequeno asterisco no registro das Smart TVs, que indica que a segurança não é prioridade. De certo ponto de vista, a Smart TV é mais um computador com navegador web, e se as atualizações não são frequentes, alguns bugs podem ficar pelo caminho, como aconteceu com o Nintendo Switch. Assim chegamos a um dos pontos de conflito mais importantes: a grande maioria dos usuários as vê como televisores, que não precisam de mecanismos de proteção. (N. do R.: A demo começa aos 31:15)
Tudo o que um atacante precisa para assumir o controle de uma Smart TV é um transmissor de TV digital de baixo custo (cem dólares em média), baseado no popular padrão DVB-T. Se o televisor sintonizar por um momento o sinal com código malicioso, estiver conectado à rede, seu navegador integrado ou a versão disponível do Flash tiver alguma vulnerabilidade antiga (o mais provável é que sim) e apresentar compatibilidade com o padrão de transmissões híbridas HbbTV, pode ficar exposto. De acordo com Rafael Scheel, criador do exploit, cerca de 90 por cento das Smart TVs usam DVB-T e HbbTV. Além disso, a transmissão é unidirecional, portanto, qualquer tentativa de rastrear o atacante seria extremamente difícil.
As primeiras vulnerabilidades associadas ao HbbTV foram relatadas em 2014, mas o consórcio encarregado de regular o padrão as ignorou, porque a ameaça não parecia tão séria. O que um agente malicioso poderia fazer com esse ataque? Transformar a Smart TV em um zumbi para ataques DDoS, espionar os usuários, atacar redes Wi-Fi próximas (desde que a TV esteja dentro do alcance), extrair qualquer dado pessoal do dispositivo, injetar publicidade… a lista continua. Algumas das proteções sugeridas por Scheel são forçar a verificação de certificados nas páginas da web visitadas com HbbTV, criar um registro de portais HbbTV autorizados e declarar como “inseguro” todo o conteúdo que chegue via DVB-T. Em casos mais extremos… não conectar a Smart TV à internet. Protocolos e navegadores inseguros em eletrodomésticos, uma ótima ideia. (?)