A DeepSeek anunciou em 20 de outubro de 2026 que abriu o código do DeepInfer sob a licença Apache 2.0. A versão pública oferece inferência offline para o modelo DeepSeek-V4.1-Flash em aceleradores NVIDIA SM100 ou Huawei Ascend 950. Para operar como serviço online completo, ainda são necessários componentes que não fazem parte do lançamento.

O que a DeepSeek publicou

O DeepInfer é um framework de inferência para modelos da DeepSeek. A versão inicial lista o DeepSeek-V4.1-Flash e o checkpoint padrão DeepSeek-V4.1-Flash-1017. O código está disponível no repositório oficial do DeepInfer sob a licença Apache 2.0.

A DeepSeek também publicou a biblioteca complementar deepseek-recipe. Ela converte dados entre protocolos comuns de APIs de modelos de linguagem e sequências de tokens, alinhando essa lógica à API oficial da empresa. O repositório do deepseek-recipe apresenta o projeto.

O limite entre inferência offline e serviço completo

DeepSeek abre o código do DeepInfer para inferência offline

A versão pública executa inferência offline. Um serviço completo também precisa gerenciar o cache KV, separar as etapas de prefill e decode e distribuir a carga entre réplicas de processamento paralelo. O cache KV guarda informações intermediárias usadas durante a geração; o prefill processa a entrada, e o decode gera os tokens da resposta.

Plataformas compatíveis e requisitos de compilação

A lista inicial associa cada acelerador a um backend de software específico:

PlataformaAcelerador listadoBackend
NVIDIANVIDIA SM100 GPUCUDA 13
HuaweiHuawei Ascend 950 NPUCANN 9.2

A compilação também requer Linux, GCC 13 ou posterior e Python 3.12. A documentação marca inferência invariável por lote e amostragem determinística como recursos exclusivos de NVIDIA. Esses requisitos ajudam a delimitar as configurações descritas pela DeepSeek; não se estendem automaticamente a outras gerações de GPUs ou a sistemas com placas diferentes.

As estimativas do DSpark variam com a concorrência

O DSpark é um método de decodificação especulativa que prevê a taxa de aceitação de tokens provisórios e escolhe quantos verificar. Na comparação EP64/DP64 da DeepSeek, a verificação dinâmica foi comparada ao método fixed-five, que verifica cinco tokens. A estimativa de mudança na vazão varia conforme o número de sequências simultâneas por rank:

Sequências simultâneas por rankMétodo de referênciaVariação estimada da vazão
16fixed-five−1,5%
60fixed-five+5,4%
96fixed-five+11,0%

A DeepSeek descreve cerca de 60 sequências por rank como seu ponto operacional de produção. Nesse nível, a empresa estima ganho de 5,4% frente ao fixed-five; com 16 sequências por rank, estima queda de 1,5%. Os resultados variam com a carga e são estimativas da própria empresa.

Uma configuração implantável não é a configuração eficiente mínima

A DeepSeek afirma que uma implantação com uma GPU de prefill e uma de decode é viável. Para a menor configuração que considera eficiente, recomenda 64 GPUs de prefill e 64 GPUs de decode, em linha com sua configuração de decode recomendada. A diferença é relevante para quem avalia a escala operacional: conseguir implantar o sistema não significa que essa configuração seja a que a empresa considera eficiente.

O que os números operacionais da DeepSeek medem

Alessio Garau analisa o lançamento do DeepInfer, sua arquitetura e os números operacionais divulgados pela DeepSeek; vídeo em italiano.

A DeepSeek afirma que um cluster atende 155 trilhões de tokens por dia e reporta receita de US$ 38 por GPU-hora na modalidade de preços que chama de “valley pricing”. São números da operação da própria empresa, com essa condição de preço.