Não é a primeira vez que alguém no mundo do software vem a público para questionar a utilidade dos últimos antivírus, e temos certeza de que não será a última. Iniciativas como o Project Zero do Google colocam em dúvida a qualidade do código utilizado em soluções de segurança, e quem agora se junta ao coro é Robert O'Callahan, um ex-engenheiro da Mozilla que sugere abandonar todos os antivírus feitos por terceiros no Windows 8.1 ou superior, deixando apenas o Windows Defender em segundo plano.

Ex-engenheiro da Mozilla sugere não perder tempo com antivírus… exceto o Windows Defender
Windows Defender

Os computadores mudaram muito nos últimos anos, assim como a web, o software em geral e, claro, as ameaças à segurança digital. Antes, o vírus médio buscava infectar alguns executáveis e saltar de um PC para outro via disquetes. Hoje, eles fazem um meio disco rígido de refém e exigem um pagamento em Bitcoins para a liberação. A corrida armamentista está perdendo o equilíbrio, e os desenvolvedores maliciosos lá fora estão cada vez melhores. Esse panorama nos obriga a "questionar" nossas soluções clássicas de segurança, e o que vemos não é bom. Na quarta-feira passada, a Forbes reportou que uma equipe de engenheiros encontrou em um prazo de seis meses mais de 200 vulnerabilidades em onze produtos da Trend Micro. A empresa foi rápida em corrigi-las, mas esse não é o ponto: seu software protege computadores. Esses bugs não deveriam estar ali em primeiro lugar.

Ex-engenheiro da Mozilla sugere não perder tempo com antivírus… exceto o Windows Defender
Uma busca muito superficial no Project Zero. Todos corrigidos, mas...

A recomendação de O'Callahan

Assim chegamos às recentes declarações de Robert O'Callahan, ex-engenheiro da Mozilla, que em sua página pessoal sugere abandonar imediatamente todos os antivírus desenvolvidos por terceiros no Windows 8.1 ou superior, deixando apenas o Windows Defender em ação. Suas declarações se apoiam na quantidade significativa de bugs encontrados pelo Project Zero do Google nos programas de diversas empresas. ESET, Symantec, Avast, Trend Micro, AVG, Comodo, Avira, Kaspersky… todos têm pelo menos uma entrada, e nos fazem perguntar onde estão as auditorias. De acordo com O'Callahan, os bugs não apenas abrem novos vetores de ataque, como também seus desenvolvedores não seguem práticas padronizadas de segurança. A exceção nesse ponto parece ser a Microsoft, a quem ele considera "competente"

O problema dos navegadores

Em essência, o problema aqui é que certos antivírus podem comprometer a segurança dos navegadores. A Mozilla investiu muito tempo e esforço para que o ASLR funcione bem no Firefox, mas alguns produtos quebravam isso injetando DLLs sem suporte em seus processos. E, em mais de uma oportunidade, os antivírus bloquearam atualizações do Firefox, do Chrome e do próprio Windows. O'Callahan sugere manter antivírus de terceiros apenas em sistemas com Windows 7 ou XP (o que ele descreve como "estar um pouco menos condenado"). Para o resto, o Windows Defender deveria ser suficiente.

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