Em entrevista publicada em 13 de outubro de 2026, Geoffrey Hinton disse que estima em 10% a 20% a chance de a inteligência artificial causar a extinção humana nas próximas décadas. Ele apresentou o número como um alerta sobre um risco grave, não como previsão de um acontecimento específico. Jensen Huang contestou a base científica da estimativa. Uma carta aberta sobre IA e cibersegurança, por sua vez, recomenda isolamento inicial para modelos com capacidade cibernética e limites para os que se conectarem à internet. The Guardian publicou a entrevista com Hinton e relatou as críticas de Huang.

O que significa a estimativa de Hinton

Os 10% a 20% são a estimativa pessoal de Hinton para a possibilidade de a IA provocar a extinção humana nas próximas décadas. Ele explicou que o percentual serve para comunicar a gravidade do risco, e não para apontar um evento específico ou um prazo definido.

Em 23 de setembro, Jensen Huang criticou as previsões de Hinton durante uma entrevista com Ezra Klein. Huang disse que a estimativa não tinha fundamento científico nem em pesquisas, segundo o relato publicado pelo The Guardian. A divergência expõe duas posições distintas: Hinton defende que um risco incerto e de consequências extremas merece atenção; Huang questiona a base da estimativa.

A carta recomenda isolamento inicial e acesso condicionado

A carta aberta sobre IA e cibersegurança recomenda que organizações que desenvolvem, implantam ou testam modelos capazes de executar tarefas cibernéticas adotem contenção de alta garantia. Como medida inicial, propõe manter esses modelos em air gap — isolamento de rede que os separa de conexões externas. O texto da carta também orienta como avaliar modelos conectados à internet: as ações permitidas devem ser ponderadas diante da capacidade limitada de prever se o que o modelo fará poderá causar uma falha de segurança.

Na prática, a proposta combina um padrão inicial de isolamento com limites ajustados para o acesso à rede. O documento também considera que falhas de contenção podem envolver problemas de alinhamento — quando os objetivos do sistema não correspondem ao que se pretendia — ou deficiências nas práticas de cibersegurança. Por isso, recomenda tanto pesquisa em alinhamento quanto medidas mais robustas de contenção.

O órgão internacional ainda é uma proposta

A carta propõe criar um órgão internacional, em consulta com governos e especialistas em IA e cibersegurança. Ele desenvolveria boas práticas para alinhamento e contenção, inclusive abordagens que permitam mais acesso do que o isolamento total, e acompanharia falhas de contenção. O documento também recomenda que incidentes sejam comunicados a esse órgão e, mais adiante, tornados públicos.

A NeoTeo já explicou o pedido de supervisão internacional para a IA avançada; nesta carta, o critério para o acesso à internet detalha como o isolamento inicial poderia coexistir com conexões sujeitas a limites.