O estudo publicado pela Microsoft na Science em 22 de outubro de 2026 registrou acurácia de 83,2% para o MAI-DxO em casos históricos do New England Journal of Medicine (NEJM) e de 80,3% em atendimentos do banco MIMIC-IV-ED. Os resultados vieram de benchmarks retrospectivos, controlados e baseados em texto: não medem o desempenho do sistema no atendimento a pacientes.

Os resultados do MAI-DxO nas duas coortes

Nas duas avaliações principais, o MAI-DxO usou o GPT-5. Os médicos participantes eram profissionais individuais, e não equipes ou especialistas.

Coorte do benchmarkRegistros históricosMAI-DxO com GPT-5Médicos participantesContexto
NEJM CPC304 casos83,2% de acurácia36,1% com material de referência; 22,3% semCasos de conferências clínico-patológicas, simulados em texto
MIMIC-IV-ED325 atendimentos80,3% de acurácia46,8%Registros de atendimentos de emergência que levaram a internação, simulados em texto

A acurácia indica a proporção de respostas consideradas corretas segundo a avaliação do benchmark. Os resultados com GPT-5.5 pertencem a uma repetição separada do teste, não às cifras principais da pesquisa.

Como o SDBench simula o raciocínio diagnóstico

Veja a demonstração em inglês da Microsoft: um caso simulado percorre perguntas, exames e hipóteses no SDBench.

O MAI-DxO é um sistema de orquestração que organiza etapas de diagnóstico em torno de um modelo de linguagem. O SDBench é o benchmark usado para avaliá-lo. O sistema começa com informações limitadas, pode solicitar histórico, achados de exame físico ou testes, revê as hipóteses e então apresenta um diagnóstico.

No SDBench, um agente chamado Gatekeeper fornece informações do registro histórico conforme as solicitações. Quando o registro não contém um achado pedido, o Gatekeeper pode gerar um resultado sintético considerado neutro para o diagnóstico. Depois, um Judge avalia a resposta final com uma escala de cinco níveis elaborada por médicos. Notas 4 ou 5 contam como corretas.

A demonstração da Microsoft publicada em 29 de junho de 2025 acompanha um caso simulado enquanto o sistema pede informações e exames, atualiza hipóteses e registra custos estimados. Ela ilustra uma versão anterior do fluxo do benchmark.

O que os números de custo representam

Na coorte do NEJM, a configuração principal atingiu 83,2% de acurácia com custo médio estimado de US$ 5.431 por caso. Uma configuração de menor custo chegou a 79,6% com estimativa de US$ 1.303, uma diferença de 3,6 pontos percentuais na acurácia.

A pesquisa calculou esses valores mapeando exames a códigos CPT e usando uma tabela de preços de 2023 da Kaiser Permanente Washington. Também atribuiu US$ 300 a cada consulta médica simulada. São estimativas modeladas com referências dos Estados Unidos, não contas pagas nem custos do sistema de saúde brasileiro. O cálculo não incorpora, entre outros fatores, diferenças entre prestadores e pagadores, tempo de espera por resultados, desconforto, invasividade ou disponibilidade de exames.

Os autores do estudo eram funcionários da Microsoft e declararam participação acionária na empresa.

A avaliação hospitalar que a Microsoft planejou

Em 22 de outubro de 2026, a Microsoft descreveu um plano de avaliação prospectiva com o Beth Israel Deaconess Medical Center. A proposta previa interações com pacientes em ambientes hospitalares e a comparação do desempenho do sistema com avaliações independentes de médicos.

A pesquisa publicada mediu respostas a registros históricos em uma simulação textual. A avaliação hospitalar anunciada pela Microsoft era uma etapa futura distinta desse benchmark.