Parem o planeta, que queremos descer. Se há algo que podemos dizer com segurança de 2016, é que ele se encarregou de destruir cada estatística, teoria e possibilidade em seu caminho. Também foi um ano difícil para algumas empresas, e a Microsoft não ficou livre da metralha, mas mesmo assim tomou decisões muito interessantes. Uma delas foi anunciar a chegada do shell Bash ao Windows 10 e agora, a Linux Foundation confirma a entrada do gigante de Redmond como «membro platinum».
Li o anúncio oficial quatro vezes. Depois verifiquei o calendário: Não é o April Fools' Day nem o Dia dos Inocentes. Finalmente, li o anúncio outra vez. Impossível. Dez anos atrás, a situação era impossível. «Câncer, tumor, doença». Violações de licenças. As possibilidades de colaboração entre Microsoft e o universo Linux eram nulas. Mas o mundo mudou muito em dez anos. Demasiado. O desktop cedeu protagonismo diante do avanço da portabilidade e do poder da nuvem. Os usuários querem usar suas ferramentas preferidas, e que seus ambientes de trabalho se adaptem a elas, não o contrário. O grito de guerra é «interoperabilidade», e aqueles que não interpretam a mensagem corretamente, mordem o pó. Senhoras e senhores, no dia de ontem, Microsoft se juntou à Fundação Linux.
O anúncio por parte da Microsoft foi feito durante o keynote de a conferência Connect, enquanto que pelo lado da Fundação Linux, apareceu publicado em sua página oficial (link mais abaixo). É sem dúvida um momento de grande sinceridade para todas as partes envolvidas. O diretor executivo da Linux Foundation, Jim Zemlin, foi o primeiro a reconhecer que na Microsoft «não eram grandes fãs» da fundação; no entanto, hoje encontramos o gigante de Redmond como membro platinum, o que equivale a doações com uma base de 500 mil dólares anuais (os outros membros platinum da fundação são IBM, Samsung, Intel, NEC, Oracle, Qualcomm, Fujitsu, Huawei, Cisco e HP). A novidade foi acompanhada pelo lançamento do Service Pack 1 do SQL Server, que tem como característica a normalização de funções entre as edições Express, Standard e Enterprise (as únicas diferenças serão a quantidade de RAM e os núcleos que cada uma pode usar), e o primeiro preview do SQL Server para Linux.
Como se isso fosse pouco, Google confirmou sua entrada na .NET Foundation. Embora não haja dúvidas de que em mais de uma ocasião esses titãs tiveram fortes choques (e continuarão tendo), a Mountain View já permite que os desenvolvedores implantem aplicativos .NET em sua Cloud Platform, e oferece uma boa quantidade de recursos compatíveis, sem esquecer que a Microsoft declarou o Google «um dos contribuidores mais ativos» da fundação. Algumas mensagens na web sugerem que todas essas novidades combinadas parecem uma manobra geral anti-Oracle. Talvez seja cedo demais para comprovar se essa teoria faz sentido, mas não vamos descartá-la. Microsoft na Fundação Linux. Os comentários são seus.