A espécie humana escravizada, massacrada e torturada em macabros experimentos. O planeta Terra arrasado e violado por um brutal processo de terraformação. Pequenos focos de resistência que fazem o possível para comer, lutar, viver. E no meio… uma história em desenvolvimento. Uma forma diferente de fazer cinema, ou talvez televisão? Rakka é um projeto estranho que coloca em dúvida até o seu próprio formato. Neill Blomkamp sabe disso e, em uma tentativa de estabelecer diferenças com um mercado saturado de sequências e remakes, escolheu a Web como meio de distribuição. Até agora, o resultado é bastante sólido…
O primeiro curta de Oats Studios
Neill Blomkamp anunciou que iniciaria um novo projeto chamado Oats Studios, focado em curtas experimentais, e o mundo deu atenção a ele. Muitos críticos pensam que o trabalho do diretor encontrou seu teto com District 9, e que a partir daí tudo foi declínio, mas se há uma coisa que devemos conceder é que ele tenta fazer as coisas de um modo diferente. A grande pergunta é se ele consegue refletir isso em Rakka, primeiro produto do estúdio. O curta está disponível na Steam, e quem preferir a versão no YouTube pode vê-la aqui (há legendas em espanhol):
A história: a invasão dos Klum
A história nos leva ao ano 2020. A humanidade foi conquistada e escravizada por uma espécie extraterrestre com características reptilianas que Blomkamp chamou, em uma entrevista, de "Klum". A crueldade dos Klum é perturbadora: vivissecções, fusão forçada entre material orgânico e artificial, humanos usados como incubadoras, a lista continua. Os Klum também iniciaram um terrível processo de terraformação, queimando florestas, poluindo mares e eliminando o oxigênio da atmosfera. A primeira impressão é que os Klum dominam uma tecnologia orgânica, mas Blomkamp explicou que se trata de ferrofluido composto por nanomáquinas. Outro detalhe crítico é que os Klum não são tão livres quanto aparentam. Há um terceiro poder na equação, que vigia de perto a situação da Terra e que enviou os Klum em primeiro lugar.
O futuro de Rakka
Rakka compartilha vários elementos com os trabalhos anteriores de Blomkamp, colocando a opressão acima do resto. Em District 9, é dos humanos para os extraterrestres. Em Elysium, é de ricos para pobres. E Rakka inverte a ordem de District 9, com uma selvageria muito mais profunda. Como experimento que é, Rakka pode terminar aqui, continuar por vários episódios adicionais ou se tornar um filme. Blomkamp não sabe, e nós também não. Tudo dependerá do apoio financeiro que esse modelo receber. A Web respondeu de maneira muito positiva a Rakka, com uma ênfase especial na presença de Sigourney Weaver. Pessoalmente, estou intrigado e gostaria de ver mais.