Os ciberataques podem atingir onde menos se espera, e desta vez foi a vez da rede social Taringa. Seus responsáveis relataram no início de agosto um “ataque” que comprometeu as bases de dados internas, obrigando a bloquear temporariamente o acesso das contas afetadas e forçar a troca de senhas. No entanto, nas últimas horas foi confirmada uma violação que eleva o número de contas comprometidas para mais de 28 milhões, e como se não bastasse, o uso do algoritmo MD5 fez com que os dados fossem decifrados com facilidade.
O ataque ao Taringa
Alguns ciberataques são obra de operações planejadas e coordenadas à perfeição, que exploram ao máximo as fraquezas de uma plataforma mal mantida. O usuário comum aprende isso da pior forma ao descobrir que uma variante de malware atingiu seu computador devido a uma versão do Windows sem atualização, mas a situação é muito mais séria quando o ataque foca em um serviço popular como uma rede social. Foi exatamente isso que o portal Taringa sofreu.
Nos primeiros dias de agosto, os administradores da rede social publicaram uma mensagem geral anunciando um “ataque externo” que comprometeu tanto as bases de dados quanto o código do site. O texto também destacou a possibilidade de os atacantes terem obtido uma cópia com “apelidos, endereços de e-mail e senhas criptografadas”, mas as credenciais de outras redes não foram afetadas, assim como as carteiras Bitcoin do programa Taringa Creadores. A equipe do Taringa entrou em contato com os usuários afetados e forçou a troca de senhas, além de reforçar o método de criptografia. Infelizmente, os atacantes conseguiram extrair uma cópia da base de dados, e poucas horas atrás o portal LeakBase confirmou a violação. O total de contas expostas foi de 28.722.877.
Criptografia com MD5
O mais grave é que as senhas estavam criptografadas com o algoritmo MD5, que por suas múltiplas falhas de segurança foi declarado obsoleto. O processo de recuperação é tão simples que o LeakBase conseguiu quebrar quase 94% das senhas criptografadas em questão de dias. Isso permitiu gerar uma lista com as 50 senhas mais usadas, o comprimento de senha mais popular e os principais serviços de e-mail. Neste caso particular, usar uma senha fraca ou forte não é totalmente relevante, pois a falha reside na implementação do MD5. O Taringa disse que será substituído pelo SHA256... mas é óbvio que chega um pouco tarde.