Em testes realizados na Espanha em maio de 2026, pesquisadores da IMDEA Networks observaram que seis de nove clientes web e três de oito aplicativos Android enviaram artefatos de conversa a serviços de terceiros. Entre os dados estavam títulos, prompts, identificadores e links de conversas. Os resultados se referem às configurações avaliadas no estudo, publicado pela IMDEA Networks.

O que os testes encontraram

Tipo de clienteClientes testadosClientes com divulgação observada de artefatos de conversa
Web96
Android83

A amostra incluiu ChatGPT, Claude, Grok, DeepSeek, Perplexity, Gemini, Microsoft Copilot, Le Chat, da Mistral AI, e Meta AI. Os pesquisadores observaram 124 domínios de terceiros, associados a 44 organizações; 34 foram classificados pelos autores como serviços de publicidade e rastreamento.

No caso do ChatGPT, os testes registraram identificadores de conversa enviados ao Datadog e, em algumas condições na web, dados de links de conversa. A distinção importa: o provedor processa o prompt para responder, enquanto os achados do estudo dizem respeito a informações que chegaram a serviços de terceiros em configurações testadas.

Rejeitar cookies reduziu parte do rastreamento

Recusar cookies não essenciais não interrompeu todos os fluxos observados na web. 80,8% dos rastreadores de terceiros observados continuaram ativos após a recusa. Em uma medida diferente, os pesquisadores registraram coleta de dados em quatro dos nove serviços nessa condição.

Os números têm denominadores distintos: um descreve a proporção de rastreadores observados; o outro, quantos serviços ainda coletaram dados. Os testes web também compararam escolhas de ignorar, recusar ou aceitar cookies não essenciais. Em geral, os aplicativos Android não apresentavam uma opção equivalente de consentimento de cookies na inicialização.

Títulos de conversa também apareceram nos resultados: três dos nove clientes web os divulgaram a terceiros. Oito das nove divulgações de títulos observadas ocorreram depois que cookies não essenciais foram aceitos.

Nas configurações web gratuitas e pagas do Grok avaliadas, os links permanentes de conversa eram públicos por padrão, a menos que a pessoa desativasse essa opção. No Perplexity, links de conversas da modalidade para visitantes também eram públicos na configuração testada. A cronologia do estudo registrou links do Grok ainda acessíveis publicamente em 10 de setembro de 2026.

Nas páginas de compartilhamento do Grok, os pesquisadores observaram uma captura de tela enviada ao TikTok e o prompt mais recente enviado à Meta e ao TikTok. As páginas compartilhadas podiam ser acessadas sem autenticação depois que a pessoa escolhia compartilhar a conversa.

Em outro teste, a equipe inseriu URLs canário em prompts e arquivos enviados para observar acessos posteriores a recursos associados ao Grok. As URLs receberam 70 ativações, de 70 endereços IP em 14 países, entre horas e dias após o envio.

Como interpretar o alcance dos resultados

A equipe executou conversas predefinidas manualmente e comparou estados de consentimento e tipos de conta. A análise web usou o Chrome 148.0.7778.167; os testes de Android foram feitos em um Google Pixel 3a com Android 12. A pesquisa não abrangeu planos empresariais ou governamentais, e os resultados podem variar conforme a localização e o estado da conta.

A análise jurídica discute possíveis tensões com o GDPR e a Diretiva ePrivacy.