A Valve anunciou, em 15 de outubro, uma atualização da Steam Client Beta: o cliente para Linux passou a ser de 64 bits e a rodar dentro de um contêiner Steam Runtime. A mudança busca tornar o comportamento do Steam mais consistente entre distribuições Linux; nos sistemas x86_64, porém, a beta ainda exige bibliotecas e drivers de 32 e 64 bits. Comunicado da Valve
O que muda com o contêiner
O cliente de 64 bits roda dentro do Steam Runtime, tecnologia que a Valve também usa nos jogos do Steam. Segundo a empresa, colocar o cliente nesse contêiner deve ajudar a oferecer uma experiência mais consistente entre distribuições. O comunicado não apresenta um ganho de velocidade como objetivo da atualização.
A etapa de outubro veio depois de outra iniciativa: em 19 de março, a Valve descreveu uma beta experimental separada, chamada SteamRT3, distribuída junto da beta regular. Na ocasião, o cliente experimental já havia passado a 64 bits. Os dois comunicados mostram etapas distintas da beta, mas não detalham como o caminho experimental se relaciona com a atualização de outubro. Comunicado da Valve de 19 de março
Por que o x86_64 ainda precisa de multilib
Ter um cliente de 64 bits não basta para dispensar componentes de 32 bits. Para sistemas x86_64, a Valve exige as versões de 32 e 64 bits das bibliotecas necessárias e dos drivers gráficos. A documentação da beta também não oferece suporte a instalações x86_64 somente de 64 bits nem a sistemas x86 somente de 32 bits. Requisitos da beta para Linux
Na prática, quem mantém o multilib instalado não deve removê-lo por causa dessa mudança: ele continua necessário para atender aos requisitos publicados pela Valve. A arquitetura do cliente e os componentes exigidos pelo sistema hospedeiro são coisas diferentes.
Requisitos publicados pela Valve
Além do multilib, a documentação da beta pede glibc 2.31 ou posterior e kernel Linux 5.6 ou posterior. O processador deve ser x86_64/AMD64 e oferecer suporte a CMPXCHG16B e SSE3; também é necessária uma placa de vídeo compatível com Vulkan.
O ambiente precisa permitir a criação de namespaces de usuário e de montagem sem privilégios especiais e oferecer um barramento de sessão D-Bus. Para a tela, a Valve exige um servidor X11, seja por meio do Xwayland, seja em uma sessão X11. Também são necessários drivers OpenGL e Vulkan e uma das opções de áudio pipewire-pulse ou PulseAudio. A documentação lista JACK e ALSA dmix como incompatíveis com a beta.
A Valve aponta as famílias de distribuições Arch, Debian e Fedora, além dos ambientes KDE Plasma e GNOME, como alvos típicos. Outros ambientes podem funcionar; a empresa afirma que a adesão às convenções comuns de desktops tende a favorecer o funcionamento esperado.