Os detalhes técnicos do ransomware WannaCry ainda não se esgotaram. Agora que os pesquisadores tiveram mais tempo para analisar seu comportamento, é possível desenvolver uma ideia sólida sobre seu impacto final. O diretor de Análise e Pesquisa Global da Kaspersky, Costin Raiu, indicou em sua conta do Twitter que pouco mais de 98% dos computadores comprometidos pelo WannaCry utilizam alguma variante do Windows 7, enquanto o restante ficou dividido entre Windows Server 2008 R2 e Windows 10 x64.
Os dados da Kaspersky
A primeira campanha do WannaCry já terminou, mas devemos enfatizar a palavra “primeira”, pois não há dúvidas de que novos ataques surgirão nos próximos meses. Tudo o que os responsáveis precisam fazer é modificar o código e aproveitar outra vulnerabilidade no Windows. Se há algo que o WannaCry deixou claro é o conflito existente nas políticas de atualização adotadas por certas empresas e instituições. As razões para adiar uma atualização são muitas, mas o ransomware não faz exceções.
O gráfico compartilhado pelo diretor Costin Raiu em sua conta do Twitter indica claramente que mais de 98% das infecções ocorreram em alguma versão do Windows 7, seguidas pelas múltiplas variantes do Windows Server 2008 R2 (que, aliás, usa o mesmo kernel do Windows 7) e uma penetração mínima no Windows 10 x64.
A grande pergunta é: onde está o Windows XP? A Microsoft lançou um patch de emergência para esse sistema operacional, mas Raiu disse que as infecções foram “insignificantes”. O que aconteceu? Com o passar dos dias, confirmou-se que o worm não podia atacar diretamente o XP, embora, teoricamente, pudesse afetá-lo por outros meios.
Por que o Windows 7 é o alvo?
É claro que esses dados se concentram na telemetria obtida pela Kaspersky, mas são suficientes para estabelecer uma tendência. O suporte ao Windows 7 se estenderá até 2020. Por que atingiu tantos computadores? Em primeiro lugar, o óbvio: o Windows 7 domina entre 46% e 48% do mercado. Sua base é enorme, portanto, é lógico que o WannaCry tenha mais sucesso ali. Além disso, qualquer usuário que já tentou implantar ou manter o Windows 7 recentemente sabe que o Windows Update nesse sistema é um desastre. O serviço de atualização pode levar horas para processar dados, consumindo ciclos de CPU. Quando isso acontece, muitos usuários optam por desativá-lo, mesmo com o risco.