Ontem, a Microsoft começou a distribuir o tão esperado Anniversary Update para Windows 10, que simboliza um ano inteiro de trabalho em seu sistema operacional de destaque. Com o fim da oferta que permitia obter o Windows 10 gratuitamente e a chegada da nova atualização, a Microsoft consolida sua estratégia de atualizações periódicas, adiciona vários recursos pedidos pelos usuários, corrige uma quantidade significativa de detalhes menores e sobe mais um degrau em seu longo caminho para alcançar a visão de "Windows como serviço".
Damas e cavalheiros, o Windows 10 atravessa uma espécie de "momento de virada", e embora provavelmente não seja o único durante sua carreira, não há dúvidas de que é o mais importante. Em primeiro lugar, a oferta para acessar este sistema operacional gratuitamente terminou. Embora existam exceções à regra (que exigem ativar certos recursos de acessibilidade no sistema operacional), tudo indica que a Microsoft decidiu fechar sua válvula de pressão. O Windows 10 recebeu um último empurrão na última semana, o que lhe permitiu furar a barreira dos 20 por cento do mercado, e aqueles que permaneceram firmes no território do Windows 7 poderão continuar sua aventura até 14 de janeiro de 2020. Em segundo lugar, o Windows 10 recebeu o muito esperado e antecipado Anniversary Update, que poderíamos visualizar como um "service pack"... mas que por questões de política interna, a Microsoft jamais chamará desse modo.
O que o Anniversary Update traz de novo? Vamos começar pelo fato de que a atualização não modifica radicalmente a forma como usamos o Windows 10 até agora, mas as duas funções que estão roubando boa parte da atenção são Windows Ink e Cortana. Como o próprio nome indica, o Windows Ink tem o objetivo de expandir a quantidade de ações e tarefas que o usuário pode realizar com uma caneta (stylus) no Windows 10. Transformar o sistema operacional em um "pedaço de papel virtual" deve melhorar a experiência nas plataformas híbridas que funcionam em modo tablet, além de uma nova série de aplicativos preparados para o Ink e a possibilidade de salvar anotações feitas à mão livre que depois serão lembradas pela Cortana. E falando em Cortana, basicamente agora a encontramos "ao centro e à frente" do Windows 10. Ela está muito mais inteligente, detecta conflitos de agenda, sua integração com Office, Outlook e Calendar é muito superior, "fala" com dispositivos Android e recebe suas notificações (bateria baixa, e-mails etc.), e agora oferece seus serviços na tela de bloqueio (lockscreen) sem precisar entrar no sistema. Qual é a letra miúda de tudo isso? A Cortana se "fundiu" de certa forma com as funções de busca do Windows 10 e não pode ser desativada (pelo menos, não como antes) nas edições padrão do sistema operacional.
O que vem a seguir? Um sistema de pinos nos desktops virtuais (ou seja, você pode configurar uma janela para que ela apareça em todos eles), o tão atrasado "tema escuro" para a interface que os usuários quase pediam aos gritos, suporte a extensões no Edge, ajustes no menu Iniciar que mostram "todos" os programas de um modo melhor organizado, maior personalização no Action Center, Skype como aplicativo universal (continua em preview), Xbox Play Anywhere que permitirá comprar um jogo na loja e executá-lo no computador "e" em um Xbox One sem precisar de duas cópias, calendário integrado à barra de tarefas, um modo de "horas ativas" que bloqueia atualizações automáticas em horários críticos de trabalho (por favor!), um "assistente de ativação" pensado para quem troca peças de hardware com frequência ou precisa reativar o Windows 10, otimizações no modo de economia de bateria e, claro, a possibilidade (opcional) de instalar o shell Bash. Como sempre, paciência. Nem todos os usuários receberão a opção de instalar o Anniversary Update imediatamente (embora possam "induzir" a atualização com este pequeno cliente), e quem desejar as imagens ISO atualizadas poderá baixá-las via MSDN (supondo que tenha uma assinatura), através de uma seção especial, ou dentro de algumas horas, usando o último build atualizado do Media Creation Tool. Esta última opção é lenta e pede pelo menos 8 GB de espaço livre na unidade C, mas se o plano sempre foi obter a imagem ISO, acho que vale a pena esperar.