Depois do que foi o anúncio de KRACK e a confirmação de que WPA2 não era tão seguro quanto imaginávamos, os principais players do mercado responderam com patches e atualizações para um grande número de produtos WiFi, mas além da emergência, a verdade é que a única maneira de extirpar suas vulnerabilidades é criar um novo protocolo. Isso coloca sobre a mesa o WPA3, anunciado pela WiFi Alliance no início desta semana, que eliminará por completo pontos fracos como ataques de força bruta e a falta de criptografia para conexões em redes públicas abertas.
Se alguém esperava que a segurança da informação permitisse um breve respiro em 2018, definitivamente ficou desapontado depois do que aconteceu Meltdown e Spectre. Esse desejo surge pela verdadeira surra que 2017 nos deu, e em especial por o anúncio de KRACK, um ataque que interfere no handshake de quatro vias das redes WPA2 e permite o acesso ao seu tráfego sem conhecer a senha original. Embora os aspectos mais sérios de KRACK já tenham sido corrigidos e o suporte WPA2 continue por muito tempo, a decisão de substituí-lo por um padrão superior já foi tomada. A WiFi Alliance aproveitou a atividade na CES 2018 (que se estenderá até a próxima sexta-feira) para apresentar o WPA3, disponível neste mesmo ano.
O que trará exatamente? Em primeiro lugar, o WPA3 elevará a criptografia de dados de 128 para 192 bits, fortalecendo assim a segurança das redes em todos os casos. Depois encontramos limites na quantidade de tentativas que um terminal pode fazer para se conectar a uma rede. A introdução de um novo handshake proporcionará imunidade contra ataques de força bruta (leia-se “dicionários”), mesmo quando a senha configurada seja fraca. Outro objetivo da WiFi Alliance é simplificar em grande medida o processo para configurar a segurança em dispositivos sem interfaces, ou com ambientes muito limitados. Finalmente, o WPA3 habilitará a criptografia individual de conexões em redes públicas e/ou abertas, de modo que as conexões entre os dispositivos e o roteador estarão sempre protegidas.
O restante dependerá dos fabricantes e desenvolvedores de software, que certamente oferecerão atualizações em produtos compatíveis e não hesitarão em lançar novos modems ou roteadores no mercado. De todo modo, a sensação é que a transição de WPA2 para WPA3 será bastante lenta, apesar da crise gerada pelo KRACK. O anúncio do WPA3 é uma ótima notícia, mas no fim do dia, o mais provável é que os usuários tenham que adquirir hardware extra.