Os robôs tradicionais estão em toda parte: constroem carros, limpam acidentes nucleares, e até ajudam pessoas com deficiência a trabalhar... mas há desafios em que simplesmente não podem ser aplicados. É aqui que entra o conceito de biobot, máquinas feitas com tecido vivo. Um grupo de especialistas das Universidades Tufts e Vermont e do Instituto Wyss em Harvard acaba de apresentar os "xenobots", que medem menos de um milímetro de diâmetro e são baseados em um híbrido celular de coração e pele de rã. Os xenobots poderiam neutralizar produtos químicos e absorver microplásticos... mas o fato de estarem "vivos" gera algumas dúvidas.

Xenobots: máquinas vivas projetadas por algoritmo evolutivo
Máquinas vivas

A definição básica de robô fala sobre uma máquina programável com a capacidade de repetir e automatizar ações complexas. É tão flexível que nem mesmo coloca restrições quanto ao material de construção. A "visão" tradicional de um robô contém metal, cabos, motores e fontes de energia, mas que tal um robô "macio"? Não me refiro aos designs que tentam imitar animais e insetos, mas a um robô feito de tecido. Células, para ser mais preciso.

As últimas novidades a respeito nos levam à Universidade Tufts, Universidade de Vermont e Instituto Wyss em Harvard. Uma equipe de cientistas (os biólogos Michael Levin e Douglas Blackiston, e dois especialistas em robótica, Josh Bongard e Sam Kriegman) publicou recentemente no PNAS um trabalho baseado no que a imprensa chama de xenobots, pequenas máquinas vivas que não medem mais de um milímetro de diâmetro e utilizam como base um design híbrido.

Como os xenobots são criados?

O que isso significa? Que combina células de uma rã, provenientes do coração e da pele. As células do coração atuam como pistões, enquanto as células da pele otimizam a rigidez estrutural. A formação desses xenobots começa com a intervenção de um algoritmo evolutivo. Em essência, o que ele faz é imitar o processo de seleção natural gerando soluções, selecionando e mutando as mais interessantes. Através de um ambiente virtual, o algoritmo combina milhares de configurações, usando entre 500 e 1.000 células de coração e pele.

Aquelas que demonstraram desempenho superior, seja em movimento ou deslocando objetos microscópicos (parâmetros definidos durante a fase algorítmica), são selecionadas como ponto de partida para a geração seguinte. Repetido esse processo cerca de cem vezes, o resultado final é uma série de biobots que respondem em grande medida às instruções originais estabelecidas pelos especialistas.

Aplicações e riscos

Um dos aspectos mais interessantes deste estudo é que ele não "desce" ao nível do DNA, mas tudo se desenvolve em escala celular. Por enquanto, os xenobots "vivem" cerca de uma semana, pois só carregam a energia com a qual foram criados e não possuem nada que se pareça com um sistema digestivo. No futuro, designs semelhantes poderiam levar drogas a áreas específicas do corpo, eliminar microplásticos do oceano e neutralizar produtos químicos.

Mas também há dúvidas e riscos. Por um lado, o que acontece se um designer adicionar algo semelhante a um sistema nervoso no futuro? Quão bem recebida será essa ideia de "Frankenstein microscópico" pelo público? E por outro, o que impede os designers de xenobots de transportar outro tipo de substâncias? Injetar medicamento dentro de um tumor é uma estratégia excelente, mas alguém (e não necessariamente uma pessoa) poderia ter intenções mais sombrias...

Fonte: Smithsonian Magazine