O Apple Watch Ultra 4 normalmente durou dois dias entre cargas em uma avaliação externa publicada em 6 de outubro de 2026, após quase um mês de uso. Nos exercícios realizados, os valores médios e máximos de frequência cardíaca ficaram alinhados aos de uma cinta peitoral. Com o Readiness, uma pontuação diária que combina atividade, sinais vitais e sono, o relógio tem argumentos para quem acompanha os treinos de perto. Para quem já usa um Apple Watch Ultra 3, porém, a troca depende mais do interesse nesses recursos do que de uma mudança no formato do relógio.

Apple Watch Ultra 4: o resultado do teste prático

A avaliação usou o Ultra 4 como relógio principal, conectado a um iPhone 18 Pro com iOS 27. A frequência cardíaca dos treinos foi comparada com uma cinta peitoral; as distâncias do GPS, com um percurso medido. Oura Ring 5 e RingConn Gen 3 serviram como referências para observar sono e Readiness.

Essa rotina ajuda a situar os resultados: houve exercícios, acompanhamento noturno e uso cotidiano, em vez de uma análise restrita à ficha técnica. A bateria normalmente chegou à manhã do terceiro dia, quando era recarregada. Os dias descritos incluíram cerca de três horas de exercícios.

Os pontos fortes foram o acompanhamento cardíaco nos treinos, a aquisição rápida do sinal de GPS e a autonomia que permitiu atravessar duas noites sem uma carga diária. As limitações também apareceram: caixa grande, ausência de histórico do Readiness na versão testada e respostas ocasionalmente lentas da Siri.

A Apple anunciou o Ultra 4 em 9 de setembro de 2026. O foco da geração está no Health Sensing System, seu sistema de sensores de saúde, no chip S11 e no Readiness. É uma evolução voltada ao que o relógio registra e apresenta durante o dia.

O que muda no Health Sensing System

Segundo a Apple, o Ultra 4 registra a frequência cardíaca em segundo plano a cada cinco segundos. No Apple Watch Ultra 3, o intervalo descrito na avaliação era de cinco minutos. Para quem acompanha o pulso fora dos exercícios, essa é uma diferença concreta na frequência dos registros.

A Apple também afirma que a HRV — variabilidade da frequência cardíaca, ou a variação no tempo entre batimentos — pode ser medida até 24 vezes mais frequentemente. Na avaliação, as medições em repouso podiam ocorrer a cada cinco minutos. A HRV acrescenta uma perspectiva diferente da contagem de batimentos por minuto: observa como os intervalos entre eles variam.

Como o sensor se saiu nos exercícios

Nos treinos da avaliação de quase um mês, as leituras médias e máximas do Ultra 4 ficaram alinhadas às da cinta peitoral. Também foi observada uma resposta mais rápida quando a intensidade aumentava durante exercícios intervalados de alta intensidade, conhecidos como HIIT.

Há uma ressalva prática para quem faz séries curtas e intensas. Em outro teste individual, com seis intervalos anaeróbicos de um minuto e uma Garmin HRM-600 como referência, o Ultra 4 apresentou mais amostras e várias métricas mais próximas da cinta do que o Apple Watch Ultra 2. Ainda assim, sua maior lacuna de registros foi de 1 minuto e 8 segundos, contra 28 segundos no Ultra 2.

Nesse teste curto, o Ultra 4 se deslocou no pulso, e a pulseira foi apertada antes do último intervalo. O participante continuou usando uma cinta externa para esse tipo de treino. É um resultado específico, mas relevante para quem quer acompanhar mudanças rápidas de intensidade: os bons valores médios e máximos da avaliação mais longa não descrevem todos os momentos de uma sessão.

O GPS também teve bom desempenho na avaliação de quase um mês, com aquisição rápida e distâncias consideradas precisas em relação ao percurso medido. Para corrida e caminhada, esse resultado se soma ao GPS de dupla frequência que a Apple especifica para o modelo.

Readiness, Vitals e a pontuação diária

Apple Watch Ultra 4 durou dois dias em teste de quase um mês

O Readiness é uma pontuação de 0 a 10 que estima a disposição para as atividades do dia. A Apple combina quatro entradas: atividade recente, carga de treino, sinais vitais e pontuação do sono. O valor pode mudar ao longo do dia.

A proposta é reunir informações que normalmente ficam espalhadas em telas diferentes. A carga dos exercícios recentes entra na mesma leitura que o sono e os sinais vitais acompanhados pelo relógio. Para quem já registra tudo isso, a vantagem é ter uma orientação diária mais fácil de consultar.

As recomendações percorrem quatro níveis: recuperação, moderação do ritmo, prontidão e incentivo a avançar. São orientações de bem-estar, não uma avaliação médica. A Apple também classifica os aplicativos Vitals e Oxigênio no Sangue como recursos de bem-estar.

No teste, Readiness e sono foram observados ao lado dos resultados de Oura Ring 5 e RingConn Gen 3. A comparação serviu para examinar a experiência de acompanhar essas informações em dispositivos diferentes, sem transformar suas pontuações em uma escala única.

A limitação mais importante para quem gosta de acompanhar tendências foi a ausência de uma visualização histórica do Readiness na versão testada. Consultar a pontuação do dia é uma tarefa; acompanhar sua evolução ao longo das semanas é outra. A avaliação também registrou a ausência de uma função dedicada ao acompanhamento de estresse.

Autonomia declarada e uso observado

A Apple declara até 50 horas de uso normal e 84 horas no modo de baixo consumo. Cada estimativa vem de um cenário próprio de teste. No protocolo de uso normal, entram consultas de horário, notificações, aplicativos, dois treinos de 60 minutos com música por Bluetooth e 12 horas de acompanhamento do sono.

Na avaliação externa, a experiência típica foi de dois dias, com recarga na manhã do terceiro. Essa rotina incluía cerca de três horas de exercícios nos dias descritos. Para quem quer dormir com o relógio e registrar treinos sem carregá-lo toda noite, esse foi o benefício prático observado.

Bateria durante treinos longos

As estimativas da Apple para exercícios são separadas das de uso cotidiano:

  • Até 18 horas em um treino ao ar livre.
  • Até 25 horas no modo Extended Workout.
  • Até 45 horas no modo Max Extended Workout.

Os modos Extended Workout e Max Extended Workout restringem recursos ou métricas para ampliar a duração. Portanto, o que interessa numa atividade longa é a combinação entre autonomia e os registros que você precisa manter, e não apenas o maior número de horas.

A carga rápida pode facilitar o uso noturno. A Apple afirma que 15 minutos de recarga fornecem até 18 horas de uso normal em seu teste, realizado com o cabo magnético de carga rápida USB-C e um adaptador Apple USB-C de 20 W. É uma estimativa obtida nessas condições, não a duração observada na avaliação externa.

Recursos, compatibilidade e decisão de upgrade

O Ultra 4 continua sendo um relógio grande: a caixa mede 49 × 44 × 12 mm, com titânio de grau 5 e cristal de safira plano. O peso é de 63,0 g no acabamento natural e 63,1 g no preto. Se você já acha um Ultra volumoso, essa geração mantém o mesmo perfil de uso.

A tela OLED sempre ativa alcança um brilho máximo declarado de 3.000 nits. Por dentro, há o S11, com processador de dois núcleos, Neural Engine de quatro núcleos e 64 GB de armazenamento. Esses componentes acompanham uma proposta que também inclui botão de ação, bússola, altímetro, profundímetro e sensor de temperatura da água.

Para atividades aquáticas, a Apple especifica resistência à água de 100 m segundo a norma ISO 22810:2010 e uso em mergulho recreativo até 40 m com um aplicativo de terceiros compatível. A empresa alerta que a resistência à água pode diminuir com o tempo. A classificação de resistência à poeira é IP6X.

iPhone obrigatório e funções previstas para depois

O Ultra 4 não funciona com Android. A Apple exige iPhone 11 ou posterior, ou iPhone SE de segunda geração ou posterior, com iOS 27 ou mais recente. Essa exigência vem antes de qualquer discussão sobre sensores ou bateria: o relógio pertence ao ecossistema do iPhone.

Na avaliação, a Siri às vezes respondeu lentamente. Live Rewind e Siri Recap estavam previstos pela Apple para uma versão beta no fim de 2026 e não fizeram parte do uso cotidiano daquele teste. Quem acompanha essas funções pode consultar também a cobertura anterior do NeoTeo sobre os recursos de áudio do Apple Watch.

Vale trocar o Ultra 3 ou considerar o Series 12?

Para quem já tem um Apple Watch Ultra 3, os motivos mais claros são o registro cardíaco mais frequente e o Readiness. A avaliação externa considerou a troca menos atraente nesse caso do que para quem vem de um Apple Watch Ultra 2 ou de uma geração anterior. Se esses dados não fazem parte da sua rotina, a caixa familiar e a evolução de bateria oferecem um argumento mais limitado para substituir o relógio.

Para quem vem de um modelo antigo e quer registrar sono e exercícios com menos interrupções para carregar, os dois dias observados têm uma consequência direta na rotina. Já quem prioriza apenas o acompanhamento de saúde deve considerar o Apple Watch Series 12: ele também compartilha o novo Health Sensing System.

O Series 12 oferece caixas de 42 ou 46 mm e autonomia normal declarada de até 24 horas. O Ultra 4 mantém a proposta de caixa de 49 mm, GPS de dupla frequência, botão de ação e recursos para atividades aquáticas, com até 50 horas de uso normal declaradas pela Apple.