Muita gente aproveitou estes dias de quarentena para fazer uma limpeza mais profunda do que o normal em casa (não é o meu caso), e se há algo que costuma ficar perdido numa gaveta juntando poeira e/ou umidade, é um pacote de negativos processados e entregues com diligência pela casa de fotografia... apenas para serem rotundamente ignorados durante anos. A pergunta é: vale a pena conservar esses negativos? O primeiro passo é confirmar o que há neles, e para isso podemos usar apps como o HELMUT Film Scanner, que “revelam” os negativos usando a câmera de um smartphone. Nem preciso dizer: o segundo passo é moderar nossas expectativas...
Alguns negativos podem ser extremamente valiosos, seja porque guardam as últimas imagens de um familiar perdido, visitas a lugares que nunca mais se repetiram (ou que desapareceram), a prova de algo que você discutiu durante anos (por exemplo, a épica história sobre a pintura do astronauta urinando na Lua), ou momentos que além de qualquer análise, são belos. Mas o processamento clássico de imagens ficou reduzido à sua mínima expressão com o extraordinário avanço da fotografia digital, e o negativo se tornou... algo incômodo.
Claro, a tecnologia respondeu com scanners especialmente otimizados para processar negativos (as opções vão desde 60 euros até mais de 600), mas a ampla presença de dispositivos móveis e sua inevitável absorção de funções levou ao desenvolvimento de apps que prometem resultados similares. Em outras palavras, a ideia é usar a câmera de um smartphone ou tablet sob as condições adequadas para visualizar, reproduzir e capturar as imagens que esses negativos guardam. HELMUT Film Scanner é um desses apps.
A interface do aplicativo
Uma vez instalado no dispositivo, o aplicativo não oferece muito em termos de interface. Na verdade, nos lembra outros apps de fotografia que já vimos. Um retângulo no centro da tela indica onde devemos colocar o negativo. As opções de processamento são Cor, Preto e Branco e Positivo, enquanto no menu de formatos há meia dúzia de entradas, mas o mais provável é que você não saia de “35 mm”
Como era de se esperar, tanto o HELMUT Film Scanner quanto outros apps na mesma linha recomendam o uso de uma “caixa de luz” para negativos, e o mundo DIY explode com exemplos. Ao não ter uma caixa de luz, improvisei usando meu notebook com o Bloco de Notas aberto e o brilho da tela no máximo. Um pedaço de acrílico me ajudou a manter o negativo parado, e o resto foi tirar a foto.
E funciona?
Então, funciona? A resposta é sim... mas precisa de muita ajuda. Em primeiro lugar, a câmera do seu dispositivo móvel precisa ser mais que decente, não apenas em megapixels, mas também em capacidade de foco. A câmera do meu tablet é absolutamente insuficiente para a tarefa, independentemente do ângulo, distância ou luz disponível.
Em segundo lugar, não recomendo fazer isso à mão livre. Embora eu não ouse dizer que a caixa de luz é obrigatória, é certo que você precisará arranjar algum tipo de suporte para que o negativo, a fonte de luz e a câmera permaneçam estáticos.
E em terceiro lugar, os reviews falam por si. O HELMUT Film Scanner tem sido particularmente criticado, mas não é o único preso nessa tempestade. As expectativas do usuário médio estão muito acima do que esses apps podem oferecer na realidade. Em resumo, se você só quer visualizar e identificar o conteúdo de um negativo, isso servirá. Mas se deseja cópias ultra detalhadas em alta definição, sugiro seguir outro caminho.
Baixe o app: Clique aqui
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