Em relatório publicado em 29 de outubro de 2026, a CrowdStrike descreveu três caminhos de intrusão associados à campanha que atribuiu à VAPOR PANDA e publicou indicadores do backdoor BLOODALCHEMY, incluindo domínios, endereços IP, arquivos e hashes. O relatório da empresa detalha casos em duas organizações farmacêuticas dos Estados Unidos e em uma entidade governamental grega.

A CrowdStrike diz que VAPOR PANDA usou o framework ARTEX principalmente com o modelo de linguagem DeepSeek e um segundo modelo comercial. Transcrições recuperadas pela empresa registraram um operador humano instruindo e direcionando os agentes em pontos de decisão. Na janela de 11 dias observada a partir de 17 de outubro, a CrowdStrike contou mais de 200 organizações-alvo em pelo menos 14 países. A equipe CrowdStrike Intelligence confirmou atividade pós-exploração em nove organizações; pelo menos outras 12 enfrentaram varredura de credenciais ou pulverização de senhas.

Para o panorama da atribuição e do uso relatado de DeepSeek, veja a cobertura anterior da NeoTeo. A NeoTeo também abordou o uso de ARTEX em investigações relatadas pelo GTIG e pela Mandiant em outra reportagem.

Três caminhos de intrusão descritos pela CrowdStrike

Asserção SAML e falha XXE em uma farmacêutica dos EUA

Em uma organização farmacêutica dos Estados Unidos, a CrowdStrike relata que um agente combinou uma asserção SAML sem assinatura, ligada à autenticação, com uma falha XXE, que explora o processamento de entidades externas em XML. A sequência permitiu consultar o serviço de metadados da instância em nuvem e obter um papel com capacidade para emitir comandos administrativos a milhares de instâncias. Depois, o agente recuperou uma conta de administrador corporativo.

Contêineres, senhas LAPS e uma conta privilegiada

Em outra organização farmacêutica dos Estados Unidos, o agente instalou web shells e explorou um serviço de orquestração sem autenticação para obter acesso root a um ambiente de contêineres de produção. Em seguida, leu senhas gerenciadas pelo LAPS, solução de senhas de administrador local, e usou delegação restrita baseada em recursos para se passar por uma conta privilegiada.

Chaves antigas e acesso por VPN na Grécia

Para uma entidade governamental grega, a CrowdStrike descreve um operador que forneceu ao agente uma exportação de 2022 do diretório do servidor de e-mail. O arquivo continha chaves de autenticação que provavelmente não tinham sido trocadas desde a exportação. O agente usou essas chaves para forjar um token de administrador e ler caixas de e-mail. Depois, recorreu a configurações de VPN recuperadas de mensagens enviadas por um usuário e a uma chave de cliente VPN que o operador disse ter vindo de um vazamento de e-mail em maio de 2024 para alcançar a rede interna.

BLOODALCHEMY: arquivos e indicadores publicados

A CrowdStrike relata que VAPOR PANDA implantou o backdoor BLOODALCHEMY em um ministério do Interior do Oriente Médio e em um ministério das Relações Exteriores da América Latina. O grupo usou um binário legítimo do GameHook renomeado como svchost.exe para carregar a DLL maliciosa graphics-hook-filter64.dll, que descriptografou o arquivo de carga útil graphics-hook_config.bin.

A empresa também listou três domínios de comando e controle (C2), os endereços IP associados e os hashes dos arquivos. Os domínios aparecem desativados, com [.] no lugar do ponto.

Indicador ou arquivoValor publicadoRelação descrita
Domínio C2nginxmysql[.]comDomínio associado ao BLOODALCHEMY
IP45.153.126[.]223Endereço associado a nginxmysql[.]com
Domínio C2sqlserver-sqlite[.]comDomínio associado ao BLOODALCHEMY
IP89.46.234[.]50Endereço associado a sqlserver-sqlite[.]com
Domínio C2www[.]ddduuuppp[.]comDomínio associado ao BLOODALCHEMY
IP192.121.47[.]20Endereço associado a www[.]ddduuuppp[.]com
Binário do GameHook renomeado como svchost.exe49fe70419fd19b81ca8d730a6ef7c1ec71b681d60b390761070d42686c7d2068Binário usado para carregar a DLL
DLL graphics-hook-filter64.dll3fb5a9fb3e2cb1d6208966bd4e55d10282d19c7250d827efa560463d60a12ee4Carregador do BLOODALCHEMY
Arquivo graphics-hook_config.bin364251838edfcf5ef1107fa692da3c5bd9a540482449f645992830134bf807abArquivo de carga útil do BLOODALCHEMY

Como as recomendações se relacionam aos casos

A CrowdStrike recomenda trocar chaves de assinatura, chaves de pré-autenticação e credenciais de serviço quando houver suspeita de exposição, inclusive as guardadas em cópias antigas e exportações de diretório. A orientação se conecta ao caso grego, em que chaves de autenticação antigas foram usadas para forjar um token administrativo.

Para os casos que envolveram autenticação e infraestrutura em nuvem, a empresa recomenda validar assinaturas SAML, exigir IMDSv2 e limitar permissões de execução de comandos na nuvem às instâncias que precisam delas. Também recomenda corrigir sistemas expostos à internet, buscar marcadores do ARTEX e manter detecção e resposta em endpoints, incluindo servidores considerados inacessíveis pela internet pública.