Inovador, visionário, ídolo, gênio, lenda... não faltam palavras. Sentimos muita falta do Starman. Sua forma terrena partiu para sempre, mas ficaram sua música, suas expressões, suas ideias. E entre todas elas, surge uma entrevista para a BBC de 1999 em que David Bowie fala sobre o futuro e, em especial, sobre o potencial da Internet. O entrevistador não parece muito convencido, mas a contundência de David é mais que contagiante.
A história nos conta que David Bowie começou sua carreira em 1962. Citando suas próprias palavras, era difícil ouvir música naquela época... e muitas outras coisas também. O rock and roll havia se transformado em um símbolo subversivo, rebelde, caótico. Os paladinos da moral e da ética pediam para limitar ou combater seus efeitos, enquanto a classe política brincava com a ideia de transformar a Guerra Fria em quente.
Mas David ficou acima e além de tudo isso. Soube reconhecer as mudanças antes que chegassem, se reinventou, fluiu enquanto outros permaneciam estáticos. Quando o nome "Internet" começou a ser ouvido com mais frequência, muitos artistas o ignoraram completamente, apenas para descobrir anos depois que deveriam se adaptar à rede das redes ou desaparecer. No entanto, David Bowie tinha outra opinião...
(N. do R.: Legendas em inglês, mas dá para acompanhar...)
Internet e o futuro, segundo David Bowie
A entrevista que acabam de ver é de 1999. O cantor trocou pensamentos com Jeremy Paxman sobre alguns de seus momentos artísticos mais importantes, incluindo a manifestação de seu alter ego Ziggy Stardust, mas também fez algumas confissões, por exemplo, que se fosse um adolescente nos anos 90 não teria se dedicado à música, mas seria "um fã e colecionador de discos". Ele se tornou músico porque sentiu isso como um ato de rebeldia, um "chamado às armas", se quiserem. Nos anos 90, a música se tornou uma carreira, e o que continuaria com essa ideia de subversão e rebeldia é a Internet. "Caótica e niilista", foram suas palavras.
Mas não termina aí: "Esqueça o elemento Microsoft. Os monopólios não têm monopólio... talvez em programas." O entrevistador destacou o fato de que qualquer um poderia fazer ou dizer o que quisesse na Internet. Um ponto complicado, sem dúvida, mas David respondeu de um ângulo que domina completamente, que é o da música. Falou de uma "desmistificação" entre o artista e a audiência, e que haveria uma nova construção entre ambos com a Internet.
E quando Paxman sugeriu a ideia de que se estava exagerando sobre seu potencial, o cantor disse que "ainda não vimos nem a ponta do iceberg", que seus efeitos na sociedade, tanto bons quanto ruins, seriam "inimagináveis", e que estavam no topo de algo "emocionante e aterrorizante". É uma pena que a entrevista não tenha legendas em espanhol, mas garanto que vale a pena cada segundo dela. Obrigado por tanto Starman, estamos em dívida.