Em mais de uma ocasião falamos sobre a delicada situação legal dos drones, seu potencial comercial e as opções disponíveis no mercado, mas existe outro aspecto crítico que não podemos ignorar: a segurança. "Hackear" drones, ou melhor, afetar seu correto funcionamento remotamente, geralmente é possível graças aos descuidos do fabricante na hora de criptografar conexões e colocar os cadeados adequados. A galera da MAKE decidiu colocar essas falhas à prova com um Raspberry Pi, um módulo WiFi e o popular Parrot AR.Drone 2.0.

Desativando drones via WiFi com um Raspberry Pi
Parrot

Voar um drone é uma atividade muito divertida, desde que seja feita com segurança e responsabilidade. Existem dezenas de motivos para começar uma clássica "guerra de vizinhos", e a última coisa que queremos é um drone jogando lenha na fogueira. Claro, a web já registrou várias disputas, e do outro lado do oceano a FAA americana continua gritando que derrubar um drone é crime federal, embora mais de um juiz pareça ter decidido ignorar esse detalhe. Enquanto isso, não devemos esquecer que um drone é, essencialmente, um computador voador, e como tal, pode ser hackeado. Em nome da flexibilidade, compatibilidade e facilidade de uso, muitos fabricantes escolhem o WiFi como método principal de comunicação entre drone e piloto; no entanto, seus esforços de segurança geralmente deixam muito a desejar.

Desativando drones via WiFi com um Raspberry Pi
Com este script é possível conectar-se automaticamente ao ponto de acesso do drone. Basta substituir o ESSID pelo valor correto.

O portal MAKE explorou essa fraqueza com hardware relativamente comum: um Raspberry Pi com uma pequena tela LCD para acessar um terminal Linux, um módulo WiFi USB compatível e o Parrot AR.Drone 2.0, um dos drones mais populares e recomendados. Este drone é repleto de sensores e outros elementos avançados que podem ser manipulados com as ferramentas certas — mas desativar o drone é uma operação relativamente direta, a tal ponto que nem sei se podemos chamar de "hacking". Por quê? Porque não há criptografia, nem protocolos a violar. O tutorial explica que o AR.Drone 2.0 funciona como um ponto de acesso, ao qual nos conectamos sem dificuldades. Alguns scripts, uma breve sessão em telnet (sim, telnet parece estar aberto no AR.Drone 2.0), tornar os scripts executáveis, e pronto. Um drone no chão.

Desativando drones via WiFi com um Raspberry Pi
Se um drone anda por aí com telnet aberto, bom...

Outra possibilidade mencionada no tutorial é modificar o módulo WiFi com uma "cantenna", ou, em nossos termos, uma antena direcional caseira para aumentar o alcance. Nem é preciso dizer que este tutorial não se aplicará 100% a outros drones, já que o fabricante pode aumentar a segurança dos seus produtos com simples atualizações, mas se a Internet das Coisas é um festival de buracos, o que nos faria pensar diferente sobre a legião de drones chineses invadindo o mercado ocidental?