Em 21 de setembro de 2026, grandes empresas espanholas foram apontadas como responsáveis por direcionar parte dos gastos corporativos em inteligência artificial da OpenAI para a Anthropic. A mudança descrita é parcial e aparece associada ao Claude Code, ao Claude Opus e aos recursos de cibersegurança ligados ao Claude Mythos — enquanto a empresa acelera sua presença local com um escritório em Madri.
Anthropic ganha espaço na empresa espanhola, mas o alcance do movimento é parcial
A movimentação coloca Anthropic e OpenAI no centro da disputa pelo orçamento de IA das grandes companhias espanholas. O uso do Claude por empresas do país está associado a organizações identificadas publicamente, mas isso não transforma cada caso em uma substituição da OpenAI.
A própria configuração do mercado ajuda a explicar a cautela: uma empresa pode usar mais de um fornecedor, distribuir tarefas entre modelos diferentes ou manter contratos anteriores enquanto testa novas ferramentas. O que emerge é um avanço da Anthropic no ambiente corporativo espanhol, não uma migração uniforme de todas as companhias do Ibex 35.
Quais empresas espanholas aparecem vinculadas ao Claude
A Anthropic identifica Banco Santander, CaixaBank, BBVA, Telefónica, Konecta, Amadeus, Ferrovial e Indra como usuárias ou clientes do Claude. A lista reúne bancos, telecomunicações, infraestrutura, tecnologia, viagens e atendimento ao cliente — um retrato de adoção que atravessa setores distintos.
Há também exemplos de uso mais concretos. A Telefónica utiliza Claude e Claude Code no desenvolvimento de software e na identificação antecipada de vulnerabilidades. A Ferrovial usa Claude como apoio em projetos complexos de engenharia civil e na automação de tarefas.
Banco Santander e BBVA haviam anunciado acordos-quadro com a OpenAI entre agosto e dezembro de 2025. A presença posterior dessas duas instituições entre as organizações associadas ao Claude sustenta a dimensão competitiva da disputa, mas não transforma esse vínculo em prova de encerramento ou substituição de acordos anteriores.
Por que Claude Code e Mythos atraem atenção empresarial
O Claude Code é uma ferramenta voltada ao trabalho de desenvolvimento de software, justamente uma das áreas em que empresas podem incorporar modelos de IA ao fluxo diário de suas equipes. O Claude Opus também aparece associado ao interesse corporativo descrito no movimento espanhol.
Na segurança, a Anthropic posiciona o Claude Mythos Preview como um sistema projetado para ajudar a identificar vulnerabilidades de software e apoiar trabalhos de proteção de infraestrutura crítica. O acesso não é aberto ao público: está restrito a parceiros avaliados do Project Glasswing.
Essa combinação — programação e segurança — explica por que a disputa não se resume a um chatbot para uso individual. Para grandes empresas, o valor está em encaixar a IA em processos internos, desde a criação de código até a análise de riscos. No caso do Mythos, porém, trata-se de uma prévia com acesso controlado.
A expansão local da Anthropic
Em 17 de setembro de 2026, a Anthropic anunciou a abertura de seu primeiro escritório na Espanha, em Madri, e nomeou Cristina Pitarch para liderar a operação no país. Pitarch havia trabalhado na área de segurança em nuvem do Google Cloud.
A Anthropic também afirmou que a taxa de adoção do Claude na Espanha era 2,7 vezes maior que a expectativa baseada na população do país. Esse número é uma estatística divulgada pela própria empresa, não uma medição independente do mercado espanhol.
A instalação em Madri dá à Anthropic uma base dedicada para acompanhar clientes corporativos e desenvolvedores espanhóis. A empresa também anunciou uma iniciativa de embaixadores voltada a desenvolvedores e fundadores em parceria com a ISDI Business School.
Project Glasswing inclui a Espanha, mas não revela seus participantes
Em junho de 2026, o Project Glasswing passou de 50 para 200 participantes. A Anthropic confirmou que a expansão incluiu organizações da Espanha, mas não divulgou os nomes dos participantes espanhóis.
O programa é especialmente relevante para entender o Mythos: o Claude Mythos Preview é destinado a parceiros avaliados dentro do Glasswing, e não distribuído como um modelo empresarial comum. A expansão espanhola, portanto, amplia o alcance da iniciativa de segurança sem transformar o Mythos em um produto de acesso geral.