NSA? Software? Cibersegurança? A simples combinação dessas três palavras provoca arrepios, mas as coisas parecem ter mudado… pelo menos na superfície. Como parte da Conferência RSA deste ano em São Francisco, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos apresentou o Ghidra, seu software de engenharia reversa. Quer baixar uma cópia? Você pode fazer mais do que isso: obter acesso ao seu código-fonte, via GitHub.

História longa feita curta: Rob Joyce, assessor de cibersegurança da NSA, participou da RSA Conference 2019 no início de março para anunciar publicamente o lançamento do Ghidra, ferramenta de engenharia reversa. Apesar dos conflitos anteriores e suas práticas mais do que questionáveis, a relação entre a NSA e a comunidade de cibersegurança nunca se cortou completamente, e o Ghidra é uma pequena prova disso, sendo atualizado até a data.

O que é engenharia reversa?

O que significa “engenharia reversa” aqui? Se você pensa que o Ghidra vai te deixar hackear celulares em alguns cliques como se estivesse em um dos filmes da série Bourne, ficará decepcionado. Na verdade, Ghidra não é uma ferramenta de hacking.

Seu papel principal (embora não o único) é o de descompilador, ou seja, ele “desfaz” uma peça de software compilada e a retorna ao seu estado original. Em outras palavras, obtém o código-fonte de um programa proprietário.

Ghidra: o software de engenharia reversa da NSA
engenharia reversa

Ghidra: software de engenharia reversa

Ghidra: o software de engenharia reversa da NSA
Sim, é preciso levar com calma...

Isso é especialmente útil na hora de analisar malware. Módulos, comandos, estrutura, capacidades reais. Em essência, como é feito, quem o escreveu, quanto dano pode fazer.

Ao mesmo tempo, o Ghidra serve como ferramenta de defesa. Você escreveu um programa e quer verificar o quão robusto ele é? Uma sessão com o Ghidra pode revelar detalhes que você ignorava completamente, tornando sua criação mais forte.

Joyce admitiu que o Ghidra “não substitui” outras ferramentas semelhantes no mercado. O mais provável é que ele esteja se referindo ao IDA (Interactive Disassembler), um desmontador profissional que pode adquirir funções de descompilação por meio de um plugin.

No entanto, o Ghidra “os ajudou em seu fluxo de trabalho”, e a vantagem de ser gratuito + open source não é facilmente ignorada.

Agora, qual é a letra pequena? Joyce indicou que o Ghidra é parte da estratégia de recrutamento que a agência mantém. Se você é cidadão americano e se torna bom com a ferramenta, você poderia entrar em níveis mais altos da NSA graças ao seu conhecimento, ou, como alternativa, simplificar o processo de participação para contratantes externos.

Se o Ghidra lhe parece familiar, é porque ele não tem nada de secreto a estas alturas. Seu nome começou a circular com a exposição (a cargo do WikiLeaks) do famoso Vault 7, com alguns elementos destacados como Athena (implante de conectividade remota), Brutal Kangaroo (quebra air gaps com pendrives infectados) e Weeping Angel (projetado para intervir em Smart TVs Samsung)

O Ghidra está disponível para Windows, Linux e MacOS, e Joyce jura pela honra de escoteiro que não possui backdoors...

Ghidra no GitHub: clique aqui

Baixar o Ghidra: clique aqui