No próximo dia 10 de dezembro, Doom completará 24 anos. Embora não haja grandes dificuldades para conseguir uma cópia, não custaria nada se a id Software e a Bethesda/ZeniMax declarassem o jogo freeware oficialmente em algum momento. Mas os fãs de Doom encontraram outra forma de celebrar: executá-lo nos dispositivos mais estranhos que se possa imaginar. Boa parte dessas façanhas se deve à abertura do motor gráfico, mas outras são simplesmente pura magia.

Dois dias antes da «Steam Summer Sale», consegui uma cópia do novo Doom com um bom desconto (menos de 11 dólares). Como preparação, decidi zerar os dois Doom originais «back-to-back», incluindo o pack Ultimate, quando estava pronto para assumir o papel do Doom Slayer e estripar demônios... descobri que meu computador está um pouco sem fibra. Até poderia jogar no «low», mas o Doom de 2016 exige uma fluidez que só vou alcançar daqui a algumas semanas. Sem problemas! Se há entusiastas por aí com paciência para executar Doom em lugares inimagináveis, eu posso esperar por uma placa de vídeo.

Uma das grandes dúvidas é como eles conseguem. Tecnicamente, os WADs ainda são protegidos por direitos autorais, mas o código-fonte da engine de Doom foi liberado primeiro em 1997 e depois em 1999 sob licença GPL. A partir daí, o céu é o limite. Centenas de mods e portes surgiram ao longo dos anos. Alguns focam em melhorar gráficos e corrigir bugs (GZDOOM e QZDOOM são bons exemplos), enquanto outros preferem reproduzir a experiência original da versão MS-DOS (como o Chocolate Doom). Vale considerar que muitos aparelhos complexos no mercado têm um computador x86 em seu interior, o que facilita as coisas... um pouco. O resto é um canto à loucura. Observe!

It Runs Doom!: Os 10 dispositivos mais estranhos que rodam Doom
Doom

1. Termostato programável

DOOMOSTAT é uma criação do usuário do YouTube «cz7 asm», e é baseado em um porte especial do Chocolate Doom para a plataforma de desenvolvimento STM32F429IDISCOVERY. O acessório Honeywell que vemos no vídeo usa o mesmo chip STM32F429 e, com alguns ajustes adicionais, temos Doom em um termostato. Imagino que John Romero nunca imaginou isso.

2. Caixa eletrônico

«Aussie50» é conhecido no YouTube por experimentar com todo tipo de peças antigas e tecnologia descartada, mas em julho de 2014 se uniu ao usuário «jgcertified» (que aparece mais abaixo na lista), e ambos restauraram um caixa eletrônico com um computador Pentium 4 em seu interior. Na hora de jogar Doom, o caixa se comporta como um fliperama e, fazendo jus ao seu trabalho original, aceita moedas como créditos.

3. Impressora

Todos concordamos que as impressoras não melhoraram muito em qualidade, mas vários fabricantes decidiram incorporar software mais complexo e uma pequena tela para visualizar suas funções. O problema é que esse «avanço» multiplicou os erros de segurança e, como demonstração, o pesquisador Michael Jordon hackeou o firmware de uma Canon Pixma MG6450... para executar Doom.

4. Touch Bar do MacBook Pro

A nova MacBook Pro não foi bem recebida pelos usuários da Apple. A falta de portas e a presença da Touch Bar causaram muita rejeição, mas no fim das contas essa barra funciona como uma tela secundária de 2.170 por 60 pixels, e o engenheiro do Facebook Adam Bell abrir Doom nela. A visão do marine fica um pouco «comprimida», se é que podemos dizer, mas a renderização do HUD funcionou muito bem.

5. Calculadora

Um dos projetos pioneiros e dos que tiveram mais cobertura na web. A execução de Doom em uma calculadora Texas Instruments correu o mundo, serviu de inspiração para outros projetos semelhantes e nos introduziu nesse mundo maluco de usar o jogo como um «Hello World» repleto de demônios e tripas. A calculadora aguentou apenas 30 segundos rodando Doom, e foi glorioso. (?)

6. Publicidade ambulante

Telas gigantes em esquinas e prédios são bastante comuns hoje, mas também as vimos montadas na traseira de muitos caminhões. Esses sistemas de publicidade costumam usar Linux, e o mencionado «jgcertified» personalizou o código para que Doom e o sistema operacional vejam o painel gigante como uma tela comum. Os resultados falam por si mesmos.

7. Máquina de ultrassom

Aparentemente, esse projeto surgiu como resposta a uma pergunta feita por Luke Plunkett da Kotaku: Doom pode rodar em uma máquina de ressonância magnética? O responsável respondeu «já já», e não soubemos mais nada dele, mas podemos ver o jogo funcionando em uma máquina de ultrassom GE Vivid S5. Talvez seja a sessão de Doom mais cara da história, porque esse hardware custa 50 mil dólares.

8. Piano

O que acontece quando você combina quatro desenvolvedores, um piano velho, muitos cabos, codificadores I-PAC e vontade de experimentar? A solução é o Doom Piano. Um aspecto notável é que o dispositivo tortura em dobro: associar os comandos básicos às teclas do piano é um pesadelo para o jogador e para aqueles que podem ouvi-lo. O mais provável é que tenham aplaudido no final porque pararam de jogar…

9. Osciloscópio

Os osciloscópios são dispositivos muito caros, mas existem modelos que usam alguma variante do Windows para gerenciar o software. Nesse caso, vemos um Agilent Infiniium baseado em Windows 95 rodando Doom com uma fluidez e consistência que seria a inveja de muitos jogadores em meados dos anos 90. Também instalaram o primeiro Quake e uma cópia de The Elder Scrolls II: Daggerfall.

10. Motosserra (de brinquedo)

Morrer nas mãos da motosserra era particularmente humilhante nas partidas multiplayer de Doom, mas, assim como a escopeta serrada, ela se tornou a arma favorita de muitos fãs. Com isso em mente, encontramos o Pi Zero Painsaw de George Merlocco, que modificou uma motosserra de brinquedo com um Raspberry Pi Zero e uma tela LCD para jogar Doom 2. O efeito VHS no vídeo é muito bom, desde que ignoremos o gamepad de Xbox e o teclado moderno.

Honestamente, eu poderia continuar. Vi Doom em um iPod, um player SanDisk, no Apple Watch e mais. No entanto, para encerrar, deixarei nada menos que Quake, o grande herdeiro de Doom, rodando em um velho osciloscópio Hitachi. O verde não fica nada mal...

It Runs Doom!