A Justiça federal dos Estados Unidos rejeitou duas ações coletivas propostas contra o LinkedIn por causa da suposta detecção de extensões do Chrome, mas não decidiu se essa prática é legal. Em decisão emitida em 8 de setembro de 2026, o juiz Vince Chhabria entendeu que Nicholas Farrell e Jeff Ganan não haviam apresentado alegações suficientemente concretas e pessoais sobre um dano à privacidade. As duas petições poderão ser alteradas.

Essa distinção é o ponto central do caso: o LinkedIn obteve uma vitória processual, não uma declaração judicial de que a detecção de extensões é lícita.

O que decidiu o tribunal federal

Juiz rejeita ações contra LinkedIn, mas não decide legalidade da varredura

As ações foram apresentadas separadamente em abril de 2026 por Nicholas Farrell e Jeff Ganan, moradores da Califórnia, contra o LinkedIn, subsidiária da Microsoft. Chhabria rejeitou os dois processos, mas autorizou os autores a corrigir as petições.

Em termos simples, a decisão tratou de standing — a necessidade de demonstrar um prejuízo concreto e ligado diretamente ao autor — e da possibilidade de a Justiça federal analisar a demanda. Uma acusação geral sobre o que uma extensão poderia revelar não bastava, segundo a fundamentação atribuída à decisão.

O tribunal não resolveu a disputa técnica sobre o funcionamento da detecção nem determinou se o LinkedIn coletou ou transmitiu informações sensíveis. Também não declarou que o monitoramento de extensões é seguro, inofensivo ou legal.

Por que as ações foram rejeitadas

A questão não era apenas afirmar que o navegador poderia expor sinais sobre extensões instaladas. Era necessário mostrar que uma extensão pertencente a cada autor havia transmitido informação privada ao LinkedIn e que isso havia causado um prejuízo pessoal concreto.

A alegação atribuída ao processo de Jeff Ganan não indicava sequer que ele tivesse extensões instaladas. Nicholas Farrell afirmou ter várias, mas não identificou uma extensão específica que tivesse revelado informação privada ao LinkedIn. Sem essa ligação individualizada, as reclamações não alcançaram o nível exigido para avançar na Justiça federal.

Isso explica por que a rejeição não equivale a um julgamento sobre o mérito da controvérsia. O tribunal analisou a forma como o dano foi apresentado, não concluiu que as alegações técnicas eram verdadeiras ou falsas.

O que o LinkedIn diz que estava fazendo

O LinkedIn afirma que seus sistemas detectam informações que as extensões expõem aos sites para funcionar e interagir com páginas. Segundo a empresa, esses sinais servem para identificar scraping, bots e outras atividades capazes de ameaçar a segurança, os dados dos usuários ou a estabilidade da plataforma.

Essa é a explicação do LinkedIn para a prática. Ela não resolve, por si só, a disputa sobre a extensão da detecção nem sobre o uso posterior das informações. A decisão federal também não resolveu essa questão.

O que o BrowserGate alegou

A controvérsia conhecida como BrowserGate surgiu de alegações de que o LinkedIn procurava sinais de extensões do Chrome no ambiente do navegador e poderia usar essas informações para criar perfis mais amplos. Entre as alegações estão possíveis inferências sobre interesses sensíveis ou profissionais.

Essas afirmações permanecem contestadas. O número de 6.222 extensões também aparece como uma contagem atribuída aos materiais do BrowserGate, e não como uma conclusão judicial. Por isso, o dado ajuda a dimensionar a acusação apresentada no caso, mas não comprova a escala da prática nem estabelece que todas essas extensões tenham sido identificadas pelo LinkedIn em produção.

Uma demonstração técnica associada à controvérsia mostrou requisições de rede classificadas como “invalid” nas ferramentas de desenvolvimento do navegador ao carregar o LinkedIn e apresentou uma explicação para uma cadeia de detecção em três etapas. A demonstração ilustra o tipo de comportamento discutido nas ações, mas não prova a legalidade da prática, seu funcionamento em todos os usuários ou o conteúdo efetivamente transmitido.

A ligação com Teamfluence

O caso também se cruza com uma disputa envolvendo a Teamfluence, empresa de software da Estônia associada a um plug-in do Chrome. O LinkedIn relacionou a controvérsia a pessoas ligadas à Teamfluence e caracterizou a iniciativa como uma reação às restrições impostas a contas associadas à empresa. Fairlinked e os autores contestaram essa caracterização.

Fairlinked e.V., associação alemã que publicou o material do BrowserGate, aparece nesse contexto como uma organização distinta da Teamfluence. Steven Morell é identificado como fundador da Teamfluence e integrante do conselho da Fairlinked. Essa relação contextual não transforma a disputa entre as empresas em prova sobre a legalidade da detecção de extensões.

O que pode acontecer agora

Os autores foram autorizados a alterar as petições. J.R. Howell, advogado de Jeff Ganan e consultor jurídico da Fairlinked, também mencionou a possibilidade de uma nova ação em um tribunal estadual da Califórnia ou de um recurso ao Tribunal de Apelações do Nono Circuito. Essas são opções discutidas após a decisão, não medidas que possam ser tratadas como já realizadas.

O próximo ponto relevante será saber se uma eventual nova petição consegue conectar uma extensão específica, uma informação privada específica e um dano concreto a cada autor. Sem essa ligação, a disputa continuará travada na porta processual antes de chegar à pergunta mais ampla: até onde uma plataforma pode observar o ambiente do navegador para combater scraping e bots?

Por enquanto, o resultado é limitado, mas importante: o LinkedIn venceu a primeira batalha judicial sobre a forma como as ações foram apresentadas, enquanto a legalidade da detecção de extensões e as alegações técnicas do BrowserGate continuam sem uma decisão de mérito.