Em 23 de outubro de 2026, o pesquisador Quentin Kaiser explicou que sua reconstrução do patch da Broadcom de 2018 não permite concluir que a correção falhou em todos os equipamentos. A exposição depende do firmware exato e da presença do componente legado WPS Monitor. A lista pública de Kaiser também relaciona versões específicas de roteadores Sagemcom associadas à GVT e à Vivo. Esta atualização complementa a cobertura anterior do NeoTeo sobre a falha WPS da Broadcom, que abordou as demonstrações iniciais em gateways belgas.
O que a reconstrução do patch permite concluir
Kaiser afirmou que sua reconstrução não corresponde a um histórico oficial de versões da Broadcom e não permite identificar uma versão exata do SDK nem quando o código chegou aos aparelhos. A possibilidade de exploração depois do patch reconstruído depende da compilação do firmware, da implementação da biblioteca e do layout da memória. Portanto, o trabalho não estabelece que todas as instalações do patch de 2018 tenham sido ineficazes.
Modelos Sagemcom associados à GVT e à Vivo
A lista pública de dispositivos de Quentin Kaiser associa os modelos e versões de firmware abaixo à GVT e à Vivo. Ela marca essas entradas como confirmadas.
| Modelo | Operadora associada | Firmware listado |
| Sagemcom F@st 5350 GV | GVT | SG790131200068 (3.12.35), SG790131200312 (3.12.5301) e SG790131200412 (3.12.5901) |
| Sagemcom F@st 5650 GVT (GPON) | GVT | 8.126.1.28 |
| Sagemcom F@ST5317GV GVT | GVT | 6.51.31 |
| Sagemcom F@ST5317GV Vivo | Vivo | 6.51.28 |
| Sagemcom F@ST5350GV GVT | GVT | 3.12.5904 |
A lista é incompleta, e versões de hardware e firmware podem variar dentro do mesmo modelo. Por isso, cada entrada se refere ao aparelho e ao firmware especificados, não a todos os roteadores da operadora.
Por que o firmware importa
A falha está no Broadcom WPS Monitor legado, componente que processa fragmentos de mensagens EAP-WPS. Quentin Kaiser relatou que um invasor ao alcance do sinal Wi-Fi pode atingir esse parser sem a senha da rede e antes de concluir o cadastro do WPS, sigla de Wi-Fi Protected Setup. Em aparelhos com a implementação vulnerável, a exploração pode revelar dados da memória e permitir a execução de código.
As demonstrações de Kaiser tiveram resultados diferentes em dois gateways belgas: no ASKEY TCG3000 da Orange Belgium, ele recuperou da NVRAM a chave pré-compartilhada da rede Wi-Fi; no BBOX3V+ da Proximus, demonstrou uma shell reversa por meio de quadros 802.11. Esses resultados dizem respeito aos aparelhos testados por Kaiser.
Um chipset Broadcom, o nome de um modelo ou a instalação do OpenWrt, por si só, não determina se o roteador contém o WPS Monitor vulnerável. O componente e a versão do firmware são os dados relevantes para avaliar cada aparelho.
O que os operadores belgas relataram
Em uma atualização de 20 de outubro de 2026, Kaiser relatou que a Proximus havia desativado o WPS em toda a frota BBOX e planejava aplicar o patch completo nas semanas seguintes. Segundo o pesquisador, engenheiros da Telenet não encontraram o processo vulnerável wps_monitor na frota da operadora, enquanto a Orange Belgium avaliava desativar o WPS na infraestrutura afetada.
Essas medidas se referem a operadoras da Bélgica. Para um roteador no Brasil, desligar o WPS no menu não confirma, por si só, que o parser vulnerável foi removido. Kaiser recomenda perguntar ao provedor ou fabricante se o firmware do modelo específico corrige esse componente.