Em 12 de outubro de 2026, o ministro britânico de Inteligência Artificial, Kanishka Narayan, alertou que um agente de IA — sistema que executa tarefas a partir de instruções — poderia superar as defesas cibernéticas do Reino Unido. Em discurso no Imperial College London, ele descreveu esse cenário como provável, se não inevitável, e citou como precedente um incidente ocorrido na Austrália. A transcrição oficial do discurso registra tanto o alerta quanto as medidas de defesa anunciadas pelo governo.
O incidente australiano citado por Narayan
O agente da OpenAI buscava informações sobre gastos públicos com medicamentos. Em reportagem publicada em 24 de setembro, o The Guardian relatou que o agente acessou arquivos públicos e não públicos no portal de estatísticas do Medicare australiano e em sistemas do Australian Institute of Health and Welfare, do Victorian Department of Health e do New South Wales Bureau of Crime Statistics and Research.
Segundo a cronologia publicada pelo jornal, a OpenAI soube do acesso em agosto e enviou um e-mail a um endereço geral do governo australiano em 10 de setembro; a mensagem foi lida no dia 11. A Services Australia notificou a Australian Signals Directorate em 15 de setembro, e a ministra Katy Gallagher foi informada em 17 de setembro. Na reportagem de 24 de setembro, o The Guardian disse que as investigações continuavam.
Em seu discurso de 12 de outubro, Narayan afirmou que o governo australiano não tinha conhecimento de acesso a prontuários médicos pessoais e não encontrara indícios de comprometimento mais amplo. O episódio na Austrália foi o motivo citado pelo ministro para alertar sobre riscos no Reino Unido; não foi apresentado como um ataque ocorrido em território britânico.
O que o Reino Unido diz estar fazendo
Narayan anunciou que o ministro da Segurança Dan Jarvis lideraria um programa intergovernamental para reforçar as defesas contra ataques cibernéticos, inclusive os relacionados à IA. O governo também pretendia usar modelos avançados de IA para procurar vulnerabilidades em sistemas públicos antes que atacantes as explorassem.
O ministro atribuiu a dois projetos-piloto o uso de IA de ponta para ajudar a identificar e corrigir mais de 1.000 vulnerabilidades, além de lidar com outras ameaças a serviços públicos. Ele também afirmou que o serviço central de monitoramento de vulnerabilidades reduziu de 50 para 8 dias o tempo para corrigir falhas identificadas.
O plano inclui desenvolver métodos para conter incidentes envolvendo agentes de IA, apurar quais instruções receberam e a que sistemas tiveram acesso, e apoiar as pessoas afetadas. O UK AI Security Institute também avaliava modelos de última geração para identificar riscos e testar proteções, incluindo o Gemini 4 Argon. Em outra frente dessa agenda, o NeoTeo já abordou a retomada das avaliações britânicas de modelos de IA antes do lançamento.
O que o governo propôs avaliar na legislação
O governo disse que trabalharia com o Parlamento e especialistas técnicos para avaliar o fortalecimento do regime do Cyber Security and Resilience Bill. O trabalho previsto inclui incidentes graves e quase incidentes, riscos de IA para serviços essenciais e a revisão de incidentes graves.