Milhões de pessoas usam a internet diariamente para documentar sua vida digital, e uma das principais formas de fazer isso é publicar fotos nas redes sociais. O problema é que essas plataformas não fazem quase nada para preservar a qualidade original das imagens. Na verdade, elas nem conseguem detectar se a imagem já passou por um processo de compressão, então aplicam seus algoritmos uma vez após a outra. O fotógrafo Janick Entremont levou isso ao extremo, publicando um retrato seu mais de 300 vezes no Instagram. O resultado final só pode ser descrito como corrupção absoluta.
“Vocês têm mais algum... pixel?” A situação é tão comum que acabou virando meme. Imagens, vídeos e GIFs animados são compartilhados até a exaustão, através de uma longa cadeia de portais e serviços que, a cada etapa, tentam otimizar o tamanho, destruindo a qualidade.
Do ponto de vista técnico, a razão por trás desse comportamento é óbvia: largura de banda é cara, muito mais do que o usuário imagina. Todos apreciamos imagens em alta resolução, mas não faz sentido servir uma cópia de 10 megapixels toda vez que alguém clica.
Do outro lado, descobrimos que os algoritmos de compressão simplesmente não se importam. Imagem que veem, imagem que comprimem, imagem que estragam. O fotógrafo Janick Entremont decidiu testar isso no Instagram, plataforma com reputação não muito boa quando o assunto é preservar qualidade. O que ele fez exatamente? Tirou uma foto, carregou no Instagram, baixou, carregou de novo, e baixou de novo... 340 vezes.
Original
80 carregamentos
O experimento não é exatamente novo. Ainda me lembro bem do trabalho do artista Pete Ashton em seu perfil “I Am Sitting in Stagram”, mas a diferença é que ele parou em 90 ciclos. Ao mesmo tempo, notamos que a perda de qualidade não segue o mesmo padrão. Uma hipótese é que o Instagram modificou ou substituiu completamente seus algoritmos de compressão nos últimos cinco anos. Enquanto na foto de Ashton o “dano” tem uma tendência horizontal, no caso de Entremont é vertical.
340 carregamentos
Conclusão? A mesma de cinco anos atrás: você pode compartilhar o que quiser nas redes sociais, mas não as use para preservar imagens. Salve os originais localmente, ou na nuvem sem processamento, como se fossem arquivos normais.
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