Durante anos, a comunidade científica pediu um ambiente mais favorável para estudar a maconha. Os governos impõem todo tipo de obstáculos com classificações sem sentido e intervenções de última hora, mas essa postura é insustentável com o tempo. Uma boa prova disso é o relatório publicado pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, que cita mais de dez mil estudos sobre a maconha, com seus possíveis riscos e, claro, seus benefícios médicos.
A situação da maconha está mudando. Muitos países que a combateram durante anos decidiram descriminalizar ou legalizar tanto o uso quanto a posse e o cultivo. Do outro lado do oceano, a mesma tendência já pode ser observada. Restam apenas cinco estados e dois territórios não incorporados com proibições explícitas à maconha, aos quais devemos somar o absurdo «Schedule 1» mantido pela lei federal. Um dos pontos para uma droga se qualificar como Schedule 1 é não ter uso médico aceito... mas, à primeira vista, podemos contar mais de uma dúzia de estados que já permitem seu uso medicinal. O que falta são estudos, e o Schedule 1 é um obstáculo no caminho. No entanto, isso não impediu as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina de publicarem um super-relatório com quase 400 páginas.
Benefícios comprovados
O relatório inclui dados de dez mil estudos focados nos benefícios e riscos associados ao consumo de maconha. Infelizmente, não é possível chegar a uma conclusão sólida em todos os casos devido à falta de dados adicionais (provocada em boa medida pelas restrições existentes), mas, em primeiro lugar, estabelece que o cannabis e os canabinoides foram eficazes no tratamento de dores crônicas, especialmente aquelas relacionadas à esclerose múltipla. Também foram observados resultados positivos no tratamento dos efeitos colaterais das sessões de quimioterapia, como náuseas e vômito. Ao mesmo tempo, o relatório indica que não há vínculos entre o uso dessas substâncias e o câncer de pulmão, pescoço e cabeça.
Riscos e limitações
Obviamente, o relatório não estaria completo sem destacar alguns dos riscos, e assim encontramos uma associação estatística entre o uso de cannabis e o desenvolvimento de esquizofrenia (com um leve aumento nos chamados «sintomas positivos» sobre aqueles que já a sofrem), problemas respiratórios e uma redução na capacidade de atenção, aprendizado e memória.
O relatório completo pode ser baixado gratuitamente em PDF (há um modo convidado, não é necessário se registrar) e, apesar do tamanho, não é difícil acompanhar o conteúdo. Muitas perguntas continuam em aberto, mas, no fim das contas, confirma o que se repete há anos: Que a maconha tem benefícios médicos.