A RayNeo Air 4 Pro funciona melhor como tela pessoal com fio para filmes e jogos casuais do que como substituta de uma TV. Antes de comprar, confira se o aparelho que vai exibir o conteúdo transmite vídeo por USB-C: além da tela fixa, os óculos usam a energia desse dispositivo, e os relatos sobre HDR10 variam conforme o teste.

Uma tela para uma pessoa, não uma TV compartilhada

A Air 4 Pro projeta a imagem diante dos olhos por dois painéis SeeYa Micro-OLED de 0,6 polegada, com resolução Full HD. A RayNeo informa taxa de atualização de até 120 Hz, brilho de 1.200 nits e peso de 76 g. A empresa também anuncia HDR10 e quatro alto-falantes ajustados pela Bang & Olufsen. São especificações do fabricante, não medições independentes. A ficha oficial da RayNeo traz os detalhes do produto.

O visor permanece fixo em relação ao usuário: os óculos não têm ancoragem espacial 3DoF, isto é, não mantêm uma tela presa a um ponto do ambiente quando você move a cabeça. A imagem é individual, e os óculos precisam ficar conectados a um aparelho. Por isso, a experiência pode servir para assistir a um filme ou jogar sem ocupar uma televisão, mas não cria uma tela compartilhada na sala.

A Wareable concluiu que o produto pode atender a filmes e jogos casuais, mas não substituir uma TV comum ou uma configuração completa de jogos. Em seu relato, a publicação também observou que as bordas pareciam menos nítidas que o centro, especialmente em jogos. A PCMag e a Gadgets Guardian mencionaram campo de visão de 47 graus.

Confira a saída de vídeo antes de conectar

A entrada USB-C do aparelho anfitrião precisa transmitir vídeo por DisplayPort, também chamado de DP Alt Mode. Ter uma porta USB-C para carga ou transferência de dados, por si só, não basta. O suporte da RayNeo descreve esse requisito; para uma fonte HDMI, a empresa indica o uso de um adaptador HDMI para USB-C.

Os óculos recebem energia do aparelho conectado e não têm bateria interna. O espelhamento básico não exige o aplicativo complementar. A RayNeo também informa suporte a HDCP, sistema de proteção usado por serviços de streaming licenciados, mas isso não garante o funcionamento de todo aplicativo em qualquer celular: o anfitrião precisa fornecer vídeo pela conexão compatível, e o aplicativo precisa permitir a reprodução naquela configuração.

HDR10 e tela fixa: o que muda na prática

A Gadgets Guardian relata, em inglês, um mês de uso da RayNeo Air 4 Pro, incluindo observações sobre HDR10, taxa de atualização e nitidez nas bordas.

A RayNeo anuncia até 120 Hz, mas esse máximo não significa que todo modo de imagem use essa taxa. A Gadgets Guardian relatou que, em seu teste, ativar o HDR10 limitou a taxa a 60 Hz. É uma observação daquela avaliação, não uma regra demonstrada para toda combinação de aparelho e conteúdo.

Os relatos sobre a imagem HDR10 também divergem. Na comparação com um iPad Air, a PCMag considerou as imagens HDR10 e AI-HDR semelhantes e notou pouco ganho no modo HDR10. O Android Police relatou cintilação ao assistir em HDR10, mas não nos modos Standard ou AI-HDR. Esses resultados ajudam a entender por que o rótulo HDR10, sozinho, não antecipa a diferença visual em cada uso.

A Gadgets Guardian fez uma avaliação após um mês de uso e apontou bordas desfocadas, tela fixa e a limitação de 60 Hz com HDR10 em sua configuração. Assista à avaliação da Gadgets Guardian, em inglês.

O aparelho conectado também consome bateria

Como os óculos usam a energia do anfitrião, uma sessão longa pode reduzir a carga do celular ou de outro dispositivo conectado. O Android Police relatou consumo de pelo menos 30% da bateria do telefone durante um filme de 90 minutos, com HDR10 desligado, em sua própria configuração. A publicação não identificou o modelo do telefone nesse relato, então o número não funciona como previsão para todos os aparelhos.

O que verificar se a imagem parecer desfocada

A RayNeo recomenda ajustar os apoios nasais e o ângulo das hastes para centralizar a imagem. Se um dos olhos continuar vendo a tela desfocada, a empresa orienta conferir a prescrição e recolocar as lentes corretivas, caso estejam instaladas; se o problema persistir, a orientação é contatar o suporte. As lentes de grau são vendidas separadamente por meio da parceira Lensology, segundo a página oficial do produto.

Relatos de usuários sobre nitidez variam: um participante do Reddit descreveu uma imagem borrada durante o uso para produtividade, enquanto outros disseram ver uma imagem nítida ou perceber melhora com lentes corretivas. São experiências individuais, não uma medida de desempenho para todos os usuários.

Para quais usos a Air 4 Pro faz sentido

UsoO que a Air 4 Pro ofereceLimite prático
Filmes assistidos individualmenteUma tela pessoal conectada ao aparelho anfitriãoA imagem é fixa, depende de cabo e é vista por quem usa os óculos
Jogos casuaisExibição em um dispositivo anfitrião compatível com vídeo DisplayPort por USB-CA tela não acompanha a cabeça por ancoragem 3DoF; um avaliador também relatou bordas mais suaves
Trabalho com texto e tarefas de produtividadeTela diante dos olhos sem ocupar um monitor convencionalAvaliações relataram suavidade nas bordas, e a imagem não fica ancorada no espaço
Assistir em grupo na salaNão exige ocupar a TV para a pessoa que usa os óculosNão oferece uma tela compartilhada para as outras pessoas

A Air 4 Pro é uma opção mais coerente para quem quer uma tela individual para filmes ou jogos casuais e já tem um aparelho com saída de vídeo DisplayPort por USB-C. Para assistir em grupo, uma TV ou monitor atende melhor; para quem prioriza uma tela que permaneça ancorada no ambiente, a ausência de 3DoF é uma limitação central.