História de um conflito anunciado: Enquanto a realidade virtual promete flexibilidade e mundos ilimitados, os principais atores deste mercado começaram a implementar mecanismos que impedem o acesso a “títulos exclusivos” usando outros headsets. O projeto Revive habilitou em meados de abril a execução de Lucky’s Tale no HTC Vive, no entanto, na sexta-feira passada a Oculus bloqueou o Revive com uma atualização de software. Qual é a resposta do Revive? Uma nova versão que elimina o bloqueio. Começou a guerra.
Novo território, a mesma discussão de sempre. Os direitos de um desenvolvedor contra os desejos do usuário. Por um momento, todos tivemos esperança de que a realidade virtual pudesse evitar esse ciclo maldito, mas mais uma vez, a realidade golpeia como um martelo. Esta história começou entre os últimos dias de março e meados de abril, quando o usuário do GitHub LibreVR deu início a um projeto chamado Revive. A descrição do Revive é simples: uma camada de compatibilidade entre o SDK da Oculus e o OpenVR, de modo que os jogadores tenham a opção de acessar os títulos disponíveis no Oculus Home usando um headset HTC Vive. O processo é um pouco “sujo”, pois os executáveis dos jogos e aplicativos no Oculus Home incluem um mecanismo de verificação, e o Revive modifica os .exe. Lucky’s Tale foi um dos primeiros jogos a funcionar com o Revive, e rapidamente outros baseados tanto em Unity quanto em Unreal Engine se juntaram. Se considerarmos que o SteamVR pode ser acessado por usuários do Rift, a ideia de um “intercâmbio” parece lógica.
O bloqueio da Oculus
Na sexta-feira passada, a Oculus publicou uma atualização importante, e o Revive voou pelos ares. Uma das entradas no changelog menciona especificamente “atualizações nas verificações de integridade da plataforma”. A razão oficial da Oculus para a mudança não é outra senão a mágica “combater a pirataria”, mas há um detalhe. O criador do Revive explicou que a primeira versão se encarregava de “enganar” os aplicativos, indicando que havia um Rift conectado. Agora, o novo software da Oculus não apenas mantém essa verificação nos aplicativos, mas o estende à plataforma Oculus em si. Em outras palavras, as novas mudanças não se focam apenas em verificar se um jogo foi adquirido legitimamente. Também busca verificar se o headset conectado é um Rift. É a mesma função para duas tarefas diferentes, portanto, não é possível desativar uma sem nocautear a outra...
A resposta do Revive
A resposta de LibreVR no GitHub foi contundente: “Não queria seguir esse caminho, mas sinto que não há outra maneira.” 24 horas depois, Revive recebeu uma atualização (0.5.2, para ser mais preciso), que desativa por completo o DRM na plataforma Oculus. O único aplicativo avaliado com esse build é o Oculus Dreamdeck, mas deve funcionar com outros jogos que usam Unreal Engine (o suporte a Unity está a caminho). O LibreVR acrescentou que não está interessado em eliminar as verificações nos aplicativos, e se encontrar um método para manter o Revive com esse mecanismo ativado, o fará. A única coisa que ele quer é uma forma de jogar os títulos adquiridos legalmente via Oculus, com um headset que não seja o Rift. Isso é o que Palmer Luckey deu a entender no AMA do Reddit que realizou em dezembro passado. Cinco meses depois, a Oculus e o Facebook parecem ter apagado com o cotovelo o que escreveram com a mão. Esse tipo de decisão pode destruir a realidade virtual antes que ela decole por completo. Estaremos vigiando.
Fonte: Ars Technica
Baixar Revive: Revive no GitHub