Em relatório publicado em 4 de novembro de 2026, a equipe de Threat Detection & Research da Sekoia atribuiu a campanha móvel Poisoned Source ao APT29 ou a um subgrupo, com confiança moderada a alta. Os ataques não exigiam outra ação da pessoa depois que a página carregava, mas o servidor selecionava os aparelhos e navegadores que atendiam aos critérios da campanha. Uma visita, por si só, não significa que o celular foi infectado. A análise técnica da Sekoia detalha três rotas de entrega e cadeias distintas para iOS e Android.
“Sem clique” descreve a interação necessária, não uma infecção automática: a entrega ainda dependia do navegador e da versão do aparelho.
Como os sites levavam a campanha ao celular
A Sekoia identificou três caminhos: código JavaScript inserido em sites legítimos comprometidos, sites falsos que funcionavam como proxies reversos e a alteração do rastreador de análise da Plerdy, usado por outros sites. Em todos eles, o código examinava características do navegador e do aparelho antes de encaminhar uma possível cadeia de exploração.
O script UltimateFingerprinter reunia 394 campos com 61 coletores. A Sekoia descreveu como critérios básicos de entrega dimensões de tela implausíveis e zero pontos de toque. Assim, “sem clique” significava que não era necessária uma nova ação depois do carregamento da página, não que qualquer aparelho que a visitasse recebesse um exploit.
A Sekoia situa o comprometimento do rastreador da Plerdy entre 27 de agosto e 3 de setembro de 2026. A equipe diz que detectou a operação em meados de outubro, após encontrar uma inclusão maliciosa de JavaScript no site de uma empresa ucraniana de produção de gás.
Três cadeias para versões específicas
A tabela resume os alvos, as vulnerabilidades CVE citadas pela Sekoia e os objetivos atribuídos a cada cadeia. Na cadeia A, o filtro de entrega para iOS 16.7 e 16.7.10 é distinto da compatibilidade mais ampla que a Sekoia atribui ao exploit, de iOS 16.0 a 17.4.
| Cadeia | Alvo e filtro de entrega | CVEs citados | Objetivo relatado |
| A | iOS 16.7 e 16.7.10; compatibilidade técnica do exploit indicada para iOS 16.0 a 17.4 | CVE-2025-43529 e CVE-2024-27834 | Roubo de cookies do navegador |
| B, DarkSword | iOS 18.5 | CVE-2025-43529, CVE-2026-20700, CVE-2025-14174, CVE-2025-43510 e CVE-2025-43520 | Coleta de dados do aparelho, incluindo mensagens, credenciais e tokens armazenados, senhas de Wi-Fi, contatos, histórico de chamadas, localização, dados de saúde, fotos e arquivos do iCloud Drive |
| C, AndroSnitch | Chrome para Android nas versões 139 a 145, exceto a 143 | CVE-2026-3910 e CVE-2025-27038 | Coleta de dados do Chrome, como cookies, logins salvos e histórico, além de dados de configuração do Wi-Fi |
Na cadeia Android, a Sekoia relata que a exploração parava ao identificar um Samsung Galaxy S25 Ultra. A distinção entre filtro e compatibilidade também importa para iOS: a faixa técnica mais ampla da cadeia A não significa que o servidor entregava o exploit a todas as versões nela incluídas.
O que a Sekoia concluiu sobre as falhas e o APT29
A Sekoia afirma que as vulnerabilidades usadas nas cadeias analisadas já tinham sido corrigidas pelos fornecedores antes da campanha. Portanto, segundo a empresa, essas cadeias não usaram falhas zero-day. A equipe também não encontrou persistência nos ataques que analisou.
A atribuição ao APT29 se baseia, segundo a Sekoia, em semelhanças técnicas, padrões operacionais, perfil das vítimas e infraestrutura. A equipe considera possível que a operação tenha sido conduzida por um subgrupo do APT29.