A situação não é difícil de imaginar: uma lava-louças com vários anos de uso estraga. Conseguir as peças de reposição (que, além disso, não garantem o funcionamento) representa boa parte do custo de uma unidade nova, e várias recomendações online apontam para um modelo específico… mas depois da instalação, o manual revela que quase metade das funções exige uma conta, uma conexão WiFi e um aplicativo. Foi exatamente isso que aconteceu com Jeff Geerling, e a pergunta é: onde está o limite?

Seu novo lava-louças exige WiFi e um aplicativo. Qual é a sua reação?
Seu novo lava-louças exige WiFi e um app. Qual é a sua reação?

Tente comprar uma TV grande que não seja Smart TV. Boa sorte. Ainda existem modelos isolados e compactos (leia-se abaixo de 40 polegadas), mas a maneira mais eficaz de des-smartizar uma TV é não conectá-la à Internet. No entanto, algo me diz que não estamos longe de uma conectividade obrigatória. Não sei exatamente como funcionaria, talvez guardando a lista de canais na nuvem ou bloqueando entradas e saídas… mas sei que está a caminho. Posso senti-lo.

Infelizmente, essa realidade perturbadora já alcançou muitos eletrodomésticos que, do ponto de vista técnico, não precisam de nada da nuvem… e agora são Smart. Assim chegamos ao segundo canal de Jeff Geerling, que teve de comprar uma lava-louças de emergência (em uma casa com cinco crianças, a louça suja se multiplica a uma velocidade assustadora) depois que sua velha GE Adora deu o último suspiro. A compra de peças de reposição não garante seu retorno, então ele decidiu optar por uma nova Bosch 500, após consultar Consumer Reports e outras fontes…

O pesadelo "Smart": WiFi e app para funções básicas

A parte física da instalação foi melhor do que Jeff esperava, mas seu plano era iniciar um ciclo de enxágue sem louça para verificar se tudo funcionava corretamente. Nesse ponto, ele descobriu a surpresa do manual: os ciclos Rinse (Enxágue) e Machine Care (Cuidado da Máquina), junto com as opções Half Load, Eco e Delay (Meia Carga, Econômico e Atraso/Programação), só estão disponíveis pelo aplicativo Home Connect.

Por um momento, Jeff achou que poderia cumprir o requisito do aplicativo e usá-lo para acessar essas funções via Bluetooth ou rede local… mas não: Home Connect é um serviço, e a lava-louças precisa se conectar à Internet, o que por sua vez exige a criação de uma conta. Visualize isso: um smartphone, com o aplicativo oficial da Bosch e uma conta registrada, conecta-se à Internet para acessar um serviço remoto e iniciar um ciclo de enxágue em uma lava-louças… que está a centímetros de distância.

Mais uma vez: não é um sistema de segurança, não é uma webcam IP, é uma lava-louças. Sim, Jeff pode ignorar essas funções e usar o restante sem problemas, explorar o caminho do hacking (já existem alguns projetos explorando o protocolo) ou morder a língua e fazer o que a Bosch pede. Mas toda a situação é absurda! Estamos falando de um risco inerente (você sabe, o "S" em IoT significa "segurança"), da inevitável coleta de dados (obviamente) e da possibilidade de perder funções quando a Bosch aposentar sua nuvem… ou começar a cobrar assinaturas por elas. Lava-louças como serviço. Os comentários estão abertos.