A Microsoft atribuiu a Storm-0940, grupo alinhado ao Estado chinês, o comprometimento de aplicativos multi-tenant da ConnectWise. A empresa informou que o grupo tentou fazer login em mais de 2.250 tenants do Microsoft 365, ou seja, ambientes de organizações na nuvem. A maioria das tentativas não teve sucesso, mas a Microsoft observou atividade posterior em vários ambientes.

O que os mais de 2.250 tenants representam

O número mede tentativas de login, não uma contagem de invasões confirmadas. A Microsoft relatou atividade posterior em vários ambientes de clientes e disse que alguns ataques chegaram a obter acesso privilegiado à nuvem. Em alguns casos, isso ocorreu em menos de três horas desde o início do direcionamento.

Uma autenticação bem-sucedida, por si só, não indica necessariamente que dados de clientes foram acessados ou extraídos, segundo a Microsoft. A empresa observou reconhecimento pelo Microsoft Graph, alterações em credenciais de aplicativos e tentativas de modificar identidades, grupos e funções privilegiadas em múltiplos ambientes.

Duas operações, métodos e resultados diferentes

A atividade com identidades de aplicativos da ConnectWise e uma operação separada de pulverização de senhas ocorreram em períodos próximos, mas tiveram métodos e resultados distintos. Pulverização de senhas, ou password spraying, é a tentativa de usar senhas em várias contas.

OperaçãoPeríodoMétodoResultado relatado pela Microsoft
Abuso de aplicativos da ConnectWiseA partir de 15 de outubro de 2026Uso de identidades de aplicativos da ConnectWise que já tinham acesso a ambientes de clientesTentativas de login em mais de 2.250 tenants; atividade posterior em vários ambientes e acesso privilegiado em alguns ataques
Pulverização de senhasDe 10 a 14 de outubro de 2026Tentativas contra contas de usuários em oito organizaçõesMais de 151 mil falhas de login; nenhuma autenticação bem-sucedida, emissão de token, chamada ao Graph ou alteração de diretório observada

Na operação de pulverização de senhas, o pico de 2.900 tentativas malsucedidas por minuto ocorreu em 11 de outubro. Mais de 111 mil falhas se concentraram em um único dia; 48 contas receberam mais de mil tentativas cada, e respostas de bloqueio representaram quase 98% da atividade. Esses números pertencem à operação separada, não ao abuso dos aplicativos da ConnectWise.

Como o ARTEX e os aplicativos autorizados entraram na operação

A Microsoft afirma que Storm-0940 usava o ARTEX para automatizar ataques desde setembro de 2026. A empresa descreve o ARTEX como um framework de pentest de código aberto, baseado em grandes modelos de linguagem e composto por vários agentes, capaz de automatizar etapas ofensivas com pouca interação humana.

No caso da ConnectWise, os aplicativos já tinham acesso autorizado aos ambientes de clientes. Assim, o grupo podia usá-los sem depender do login interativo de uma pessoa. Depois da autenticação, a Microsoft observou reconhecimento no Microsoft Graph, mudanças em credenciais de aplicativos e tentativas de alterar identidades, grupos e funções privilegiadas. Algumas operações alcançaram acesso privilegiado à nuvem em menos de três horas desde o início do direcionamento.

Serviços suspensos e restauração gradual

A ConnectWise suspendeu Cloud Backup, SaaS Security e Cloud Management após identificar acesso não autorizado a identidades de aplicativos do Cloud Backup. A empresa informou que concluiu a redefinição de contas e credenciais do ambiente afetado em 19 de outubro e iniciou a restauração controlada em 21 de outubro.

Em uma atualização publicada em 23 de outubro no horário UTC, a ConnectWise descreveu testes e validações de segurança para uma restauração em etapas. A empresa previa liberar primeiro o acesso à restauração de cópias existentes, condicionado à conclusão bem-sucedida dessa validação, e iniciar depois a reinscrição dos serviços por fases.

A ConnectWise afirmou que os arquivos de backup existentes continuavam criptografados, isolados e preservados, sem indícios de acesso. Essa declaração se refere aos arquivos armazenados no Cloud Backup; a empresa disse que sua investigação não permitia determinar se o ambiente Microsoft 365 ativo de um cliente específico havia tido atividade não autorizada.

O que os administradores devem revisar

A Microsoft recomenda revisar os registros de entrada de principais de serviço, identidades usadas por aplicativos para se autenticar, e correlacioná-los com atividades posteriores no Microsoft Graph, no diretório e nos recursos acessados. A orientação também inclui investigar credenciais de aplicativos adicionadas inesperadamente, novas permissões e atribuições de funções privilegiadas, além de preservar registros e evidências.

A ConnectWise orientou manter desativadas as conexões de aplicativos afetadas até fornecer instruções formais para reativá-las.