Apesar de suas tendências destrutivas (e com isso me refiro a que deixa de funcionar por inúmeras razões), a tecnologia nos permitiu preservar pequenas e curiosas cápsulas do tempo. Anteriormente vimos a experiência de pedir um café no Starbucks em 1993, e hoje voltamos ao mesmo ano com o objetivo de explorar a cidade de Nova York, em uma demonstração em alta definição desenvolvida para o antigo formato D-VHS da JVC…

A história nos diz que D-VHS foi um formato de gravação digital em fita desenvolvido e comercializado pela JVC em dezembro de 1997. D-VHS surgiu como uma «última otimização» ou «versão definitiva» do VHS, a tal ponto que seu modo padrão de gravação (14,1 Mbit/s) oferecia qualidade superior à do DVD comum. D-VHS chegou às terras ocidentais, e nos Estados Unidos ficou conhecido como D-Theater, mas nunca teve a flexibilidade do VHS original devido à sua proteção anticópia.

Em outras palavras, os filmes D-Theater não podiam ser reproduzidos em equipamentos sem certificação (isso sem esquecer detalhes como a compatibilidade do áudio), e as soluções da JVC compatíveis com D-Theater custavam entre 1.500 e 2.000 dólares (preços do ano de 2002). Se você quiser saber mais sobre o formato D-VHS e D-Theater, Techmoan publicou um excelente vídeo em abril de 2016, mas o que nos reúne aqui hoje é uma das demonstrações oficiais do D-VHS que ele compartilhou no YouTube, «New York City in 1993».

Nova York, 1993… em alta definição

Vídeo em HD de 1993: Nova York como nunca vimos
Nova York - Vídeo em HD de 1993

Basicamente, os distribuidores nos Estados Unidos precisavam de algum tipo de demonstração para apresentar ao público as virtudes em HD do D-VHS/D-Theater, e a JVC decidiu reutilizar material destinado ao sistema de televisão Hi-Vision / MUSE. A descrição do vídeo explica que se trata de 1993 graças a detalhes como a presença da obra Paper Moon em teatro (a informação disponível indica entre setembro e outubro de 1993), e a promoção do CD Levi's Radio 501 Volume One sobre o logotipo da JVC (obviamente).

Quanto ao resto… os penteados, as ombreiras, as Torres Gêmeas, os táxis amarelos. Sem celulares, sem WiFi, sem Uber. Imagino que a compressão do YouTube não faça justiça à gravação, mas de qualquer forma recomendo colocá-la em 1080p60 e curtir em tela cheia. É claro, não podemos deixar de agradecer à JVC, que decidiu não bombardear esta cópia no YouTube com a fúria de mil sóis.