Os compositores escreveram música em (quase) todas as superfícies à sua disposição. A inspiração atinge sem avisar e, quando acontece, é preciso anotar o mais rápido possível. No entanto, escrever música apenas para copiá-la pode ser tedioso, a menos que exista uma forma de simplificar o processo. Os computadores modernos assumiram essa responsabilidade sem dificuldades, mas na década de 50, editores, professores e músicos podiam adquirir uma máquina de escrever para notas musicais, projetada pelo inventor Robert H. Keaton.
As máquinas de escrever são fascinantes, e não precisamos colecioná-las para apreciar isso. Basta ver a IBM Selectric em ação que, além de escrever diretamente sobre ela, também nos permitia conectá-la a um computador e usá-la como impressora. Vários teclados se inspiraram nas máquinas de escrever, enquanto outras plataformas tentaram imitar seu minimalismo (a máquina Freewrite, ex-Hemingwrite).
No passado, algumas pessoas tentaram resolver problemas muito específicos com uma máquina de escrever. Um bom exemplo é a notação musical.
Para qualquer compositor, uma folha de papel e um lápis são mais que suficientes, mas imagine um professor com a tarefa de criar várias cópias para seus alunos, ou um editor que precisa fazer correções rápidas em várias folhas. Nesses casos, a resposta era uma máquina Keaton.
A máquina de escrever Keaton
A história da máquina de escrever Keaton remonta a 1936, quando seu criador Robert H. Keaton patenteou pela primeira vez. Aquele conceito tinha apenas 14 teclas, mas em 1953 Keaton decidiu registrar sua segunda geração, com um total de 33 teclas.
A partir daí surgiram as primeiras unidades comerciais, com um preço médio de 225 dólares (mais de 2.000 dólares ajustados pela inflação). A folha pautada é colocada abaixo do elemento de escrita, e uma alavanca do lado esquerdo modifica a altura (cada 'ponto' muda sua posição 1/24 de polegada).
O botão na parte inferior atua como barra de espaço (embora tecnicamente possua três teclas de espaço), e na esquina inferior direita está a alavanca para fazer o carro retornar. Uma agulha adjacente à fita indica o lugar exato em que a nota será registrada no papel.
À primeira vista, qualquer um chegaria à conclusão de que a máquina Keaton é lenta e desconfortável, no entanto, não devemos esquecer o potencial do papel-carbono, ou seja, se alguém desenvolvesse uma boa velocidade nela, poderia multiplicar seu rendimento por 2 usando uma folha de carbono e um papel pautado adicional.
Ainda assim, os compositores não adotaram a máquina (escreviam mais rápido à mão), e só restam algumas unidades em existência. Se você encontrar uma, não a deixe passar! E deixamos algumas imagens a mais, para que você tenha uma ideia do seu funcionamento.