Todos os usuários de Windows Phone e Windows 10 Mobile sabiam. Só faltava o anúncio oficial, mas por algum motivo estranho os porta-vozes preferiam evitar o assunto por completo, ou usar frases vagas e imprecisas. No entanto, uma dupla de tweets publicados por Joe Belfiore, um dos principais rostos do Windows Phone nos últimos tempos, acabou confirmando: os dispositivos atuais continuarão recebendo correções e patches de segurança, mas não haverá novos recursos nem hardware atualizado. O Windows Phone como plataforma morreu.

A morte do Windows Phone
Lumia 920

A hostilidade dos usuários

Se uma pessoa entra em qualquer fórum dedicado ao Windows Phone, notará algo muito particular: certa hostilidade por parte dos usuários. Essa hostilidade não é dirigida a novatos. Muito pelo contrário: sempre que surge um problema técnico, eles fazem o possível para ajudar. O alvo dessa raiva não é outro senão a Microsoft. Supõe-se que uma empresa competindo no espaço móvel deve fazer o possível para conquistar a lealdade dos consumidores, mas Redmond conseguiu ir exatamente na direção contrária, com uma facilidade que dá calafrios. Alguns usuários ainda acreditam que a Microsoft dará uma guinada. Windows em ARM, Andromeda e o mítico Surface Phone são as razões mais citadas. No curto prazo, só podemos dizer isto: Windows Phone morreu.

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O Lumia 520 arrasou no espaço de baixo custo na época... e a Microsoft se encarregou de jogá-lo aos leões

A confirmação

A confirmação (se é que podemos chamá-la assim) veio através do próprio Joe Belfiore, vice-presidente do grupo «Windows e Dispositivos», que compartilhou com o público várias mensagens em sua conta no Twitter. Dito isso, ele teve a coragem de anunciar o que a Microsoft nunca disse em eventos oficiais ou encontros diretos com a imprensa. O Windows 10 Mobile continuará recebendo atualizações de segurança e correções importantes de bugs, mas o lançamento de recursos adicionais ou novos dispositivos "não é o foco" da empresa. Isso basicamente equivale ao clássico "suporte estendido". Portanto, o resto dependerá das empresas que ainda estiverem interessadas em manter aplicativos na plataforma (que são contados nos dedos de uma mão).

Belfiore também disse que eles tentaram "muito duro" incentivar e estimular o lançamento de aplicativos. Foram criadas ferramentas especiais e até pagas diversas quantias de dinheiro aos desenvolvedores, mas o volume de usuários nunca foi alto o suficiente para garantir compromissos a longo prazo. Esse volume jamais atingiu níveis críticos devido a algumas decisões desastrosas vindas de Redmond. A transição traumática do Windows Phone 7 para o Windows Phone 8, a aquisição e posterior descarte da Nokia, a falta de uma linha de alto padrão sólida e a estreia do Windows 10 Mobile em um estado calamitoso selaram o destino do sistema operacional. É uma verdadeira pena. O Windows Phone chegou a ser muito popular na Europa e na América Latina. Em vez de ganhar força nesses lugares, algumas mentes da Microsoft julgaram todo o projeto pelo seu desempenho nos Estados Unidos, onde nunca ultrapassou os 5% de adoção. Hoje, os usuários de dispositivos móveis estamos presos no duopólio Apple-Google. Será que há lugar para um terceiro jogador?

Fonte: Ars Technica