Por que estou escrevendo numa manhã de domingo sobre a impossibilidade de ser dono de algo em formato digital hoje? Em primeiro lugar, porque acredito que o usuário nunca deve perder de vista qual é a sua situação real, e em segundo lugar… porque a Amazon decidiu modificar a linguagem associada às aquisições de livros no seu ecossistema Kindle. Embora esse detalhe já existisse nos termos de uso, a Amazon agora adverte os usuários americanos de que eles apenas obtêm uma licença para acessar o conteúdo.

Amazon lembra aos usuários: eles não são donos dos livros em seus Kindle
Amazon lembra aos usuários: eles não são donos dos livros em seus Kindle

O universo Kindle traz um par de novidades. A primeira é que a Amazon descontinuará a função «Download & Transfer via USB», que permite o download de livros para o computador e a posterior transferência por uma conexão física. Basicamente, o que a Amazon busca é fechar um ciclo muito popular para transferir nossos livros para o PC e destruir o seu DRM. É claro que existem outros métodos (que não vamos explorar desta vez), no entanto, se alguém deseja usar esse sistema, a data limite é 26 de fevereiro. E a segunda é algo que já sabíamos, mas que começou a ficar exposto nos últimos meses: se você compra um livro para Kindle, não é o dono.

Os livros para Kindle são «licenças de conteúdo»

Amazon lembra aos usuários: eles não são donos dos livros em seus Kindle
A função do botão é dupla: confirmar a aquisição de “uma licença” e aceitar os termos de uso

Foi Nathan do portal The eBook Reader quem descobriu a modificação. Ao que parece, o aviso está presente tanto na página web quanto nas lojas Kindle e seus aplicativos. Nathan também confirmou que o texto foi limitado ao território americano, pois visitou a Amazon Reino Unido e a Amazon Canadá, mas não viu nada parecido. Isso nos leva de volta à lei AB-2426 aprovada pelo estado da Califórnia, que modera o uso de expressões como «buy» ou «purchase» quando se recebe uma licença.

Até aqui, tudo indica que a Amazon simplesmente adaptou sua linguagem aos requisitos legais, mas outros não fizeram o mesmo ainda. Nathan destaca que nem Kobo nem Apple advertem o usuário, e o Google apenas menciona a licença um passo antes de confirmar a compra. Em resumo, pagaremos por tudo e não seremos donos de nada… mais uma vez.

Fontes: The eBook Reader, Android Police