Segundo Pedro Alfaro, CEO da espanhola Zelenza, a área de Defesa e Segurança gerou € 20 milhões dos € 120 milhões de receita total do grupo em 2025, cerca de um sexto. A empresa aposta em drones, embarcações não tripuladas e software de comando para ampliar essa operação, enquanto Alfaro vê a inteligência artificial pressionando os serviços de TIC que sustentam o negócio tradicional.
Alfaro afirmou que a maior parte das vendas de defesa em 2025 veio de projetos de pesquisa e desenvolvimento, pilotos e protótipos, e não de contratos recorrentes. A expansão, portanto, combina projetos concretos com uma operação que ainda busca transformar desenvolvimento em vendas continuadas.
De serviços de TIC a sistemas não tripulados
A Zelenza organiza sua atuação em defesa em quatro unidades: ZelenzaTech, voltada a software de comando e controle; Swarming Technologies & Solutions, dedicada a sistemas de enxames de drones; Seadrone, que desenvolve embarcações não tripuladas; e Simfor, focada em simulação.
Alfaro descreveu um modelo em que a Zelenza assume mais de 50% de participação nas empresas incorporadas, enquanto os fundadores permanecem como sócios e lideram a pesquisa e o desenvolvimento até que o produto esteja definido. Depois, o grupo contribui com industrialização, financiamento, acesso a mercados e vendas.
O que os projetos de drones incluem
Alfaro descreveu o SIMACODA como um software para distribuir missões entre drones aéreos, marítimos e terrestres. Segundo ele, o sistema também pode redistribuir tarefas durante uma missão e evitar colisões.
Um contrato para a CETEDEX, relatado pelo El Radar, foi atribuído à Swarming Technologies & Solutions e tem valor de € 480.623. O projeto prevê quatro veículos aéreos não tripulados: três multirrotores e uma aeronave de asa fixa com decolagem e pouso vertical, além de uma estação móvel de controle terrestre. O requisito descrito prevê coordenação autônoma e distribuída, sem intervenção da estação terrestre.
Em 22 de dezembro de 2025, a Zelenza anunciou que havia sido selecionada, por meio do CDTI, para desenvolver com a Seadrone e a HI Iberia um sistema marítimo para a Guardia Civil da Espanha. O projeto prevê embarcações não tripuladas para patrulha e interceptação, plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento, dispositivos de imobilização, sistemas de comando e controle, simuladores e tecnologia de enxames.
SEAD 23: uma plataforma naval da Seadrone
A Seadrone apresenta a SEAD 23 como uma embarcação de superfície não tripulada, com convés fechado, motor a diesel e propulsão por jato d’água. O fabricante informa 6,95 m de comprimento, 2,32 m de boca máxima, 1,20 m de profundidade, potência de 250 cv e velocidade máxima de 33 nós.
Em entrevista publicada em 25 de outubro de 2026, Alfaro afirmou que a Marinha espanhola contava com duas SEAD 23 e recebeu uma delas em 9 de dezembro de 2024. A Zelenza havia anunciado a aquisição da Seadrone em 2023.
A meta de crescimento de Alfaro
Alfaro projetou que a receita anual da área de defesa chegue a cerca de € 200 milhões em um horizonte de cinco anos. A projeção acompanha a avaliação dele de que a inteligência artificial e os agentes de IA podem reduzir o quadro de pessoal e as receitas dos serviços tradicionais da empresa.