Nossa relação com as baterias de íons de lítio é uma espécie de "amor-ódio" bastante instável. Graças a elas, os dispositivos móveis são compactos e têm alto desempenho, mas suas limitações naturais nos obrigam a explorar outras soluções.
O caso do lítio
A menos que você queira carregar uma alternativa pesada e com menor densidade energética, a opção mais conveniente para alimentar seus dispositivos móveis é uma bateria de íons de lítio. O mercado está cheio de modelos, são fáceis de recarregar e suas aplicações são numerosas... mas elas não têm um histórico tão limpo. No passado, vimos as consequências do seu temperamento explosivo, algo que a Samsung sofreu na própria pele com o incidente do Galaxy Note 7 (agora recondicionado sob a marca Galaxy Note Fan Edition), e várias companhias aéreas proibiram o transporte de baterias de lítio ou aplicam restrições de acordo com sua capacidade. Em outras palavras, a indústria tem grande interesse em desenvolver uma bateria mais segura e com desempenho superior. É aí que entra a tecnologia de zinco-ar.
A aposta no zinco-ar
As baterias de zinco-ar não são algo que vai aparecer daqui a vinte anos. Na verdade, já estão disponíveis para aparelhos auditivos e outros acessórios pessoais, mas o problema é que elas apresentam um desafio gigantesco na hora de recarregá-las. As únicas opções viáveis exigem, durante sua fabricação, catalisadores extremamente caros, baseados em platina e óxido de irídio. Mas isso está prestes a mudar.
Catalisadores de baixo custo
Um estudo recente publicado por pesquisadores da Universidade de Sidney e da Universidade Tecnológica de Nanyang explora o desenvolvimento de um novo grupo de eletrocatalisadores bifuncionais (redução e geração de oxigênio) feitos com elementos abundantes como ferro, cobalto e níquel. A chave está no controle preciso de sua produção, dividindo-a em três fatores: tamanho, composição e cristalização.
Testes e resultados
Os testes de laboratório mostram baterias submetidas a um total de 60 ciclos de carga e descarga, cada um com duração de 120 horas. A perda de eficiência nas baterias ficou em torno de 10%. Isso as coloca um degrau abaixo das irmãs de lítio, mas a informação sugere que elas podem armazenar até cinco vezes mais energia, sem riscos associados. Estamos prontos para uma bateria que só pode ser recarregada 60 vezes e dura cinco vezes mais? Tudo depende de como essas 120 horas se traduzem no chamado "uso real" e, claro, do preço nas prateleiras.