A Lua já deu origem a todo tipo de experimentos, e alguns deles aguardam nosso retorno ao satélite, como a análise do excremento e da urina do programa Apollo. No entanto, para explorar casos hipotéticos, sempre podemos visitar o canal do Kurzgesagt, que já nos ensinou o processo de colonização lunar e as consequências de lançar uma bomba nuclear em sua superfície. O que vem a seguir? Basicamente, perguntar o que aconteceria se a Lua caísse sobre a Terra...
A melhor hipótese sobre a origem da Lua é a do Grande Impacto: 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, um protoplaneta do tamanho de Marte atingiu a proto-Terra, criando um anel de material ao redor do nosso planeta, que por sua vez se transformou na Lua. Obviamente, os especialistas têm motivos de sobra para duvidar da hipótese e continuam explorando diferentes cenários que expliquem melhor sua existência.
Agora, há duas coisas que sabemos com certeza: a Lua está se afastando de nós (cerca de 3,5 centímetros por ano), e para imaginar a Lua caindo sobre a Terra precisamos de Roland Emmerich (ainda não vi Moonfall, e acho que não verei), ou um vídeo do Kurzgesagt explicando as consequências a partir de um ângulo científico muito mais preciso, em uma “viagem” de 12 meses. Pessoalmente, fico com a segunda opção.
O que aconteceria se a Lua caísse na Terra?
- Durante o primeiro mês, as mudanças são mínimas, mas constantes. Os primeiros efeitos se manifestam através das marés. À medida que a Lua se aproxima, a maré alta fica ainda mais alta. Começam as inundações.
- No segundo mês, a Lua já cobriu dois terços da distância até a Terra. Com uma maré superior a dez metros, a infraestrutura global começa a se desfazer. Um bilhão de pessoas deslocadas. Falhas globais no transporte de mercadorias, comunicações e geração de energia. Racionamento extremo e caos.
- No terceiro mês, a influência lunar acaba com a comunicação e a navegação por satélite.
- Entre o quarto e o quinto mês, as marés passam de 30 a 100 metros, atingindo seu limite. Agora é a própria Terra que começa a sentir o efeito gravitacional da Lua. Os terremotos se tornam comuns. A atividade vulcânica se multiplica.
- No sexto mês, a Lua entra no espaço dos satélites geoestacionários, orbitando a Terra a cada 24 horas. Metade do planeta permanece coberta de água. A gravidade da Terra começa a deformar a Lua, causando lunamotos em grande escala.
- Entre os meses 8 e 11, a Lua gira ao redor da Terra mais rápido que sua rotação. As marés mudam de direção. A atividade vulcânica e os terremotos continuam crescendo. A combinação do material na atmosfera e os eclipses diários esfriam o planeta. O frio e a chuva ácida matam quase tudo ao seu alcance. É o fim da civilização.
- Com um ano de viagem, a Lua atinge seu limite de Roche. Aqui, o efeito gravitacional da Terra é mais forte que a própria gravidade da Lua. Tudo o que está na superfície lunar começa a cair em direção à Terra. Uma vez cruzada a barreira dos 10.000 quilômetros, a Lua se desintegra, criando um anel ao redor do planeta.
A boa notícia é que o apocalipse terminou: Se a Lua caísse sobre a Terra, ela seria reduzida a pó antes do impacto. A má notícia é que pode haver consequências negativas para os poucos sobreviventes. Se uma quantidade significativa de partículas lunares cair sobre o planeta, o atrito poderia aquecer a atmosfera, fazendo os oceanos ferverem. Outra possibilidade é que o material em órbita bloqueie ainda mais a luz solar. De uma forma ou de outra, o preço por uma Terra com anéis parece alto demais...