Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Warwick relata sinais compatíveis com um candidato a planeta de segunda geração junto à anã branca quente HS 0209+0832. Publicado em 5 de outubro de 2026, o trabalho combina a composição incomum do material absorvido pela estrela com uma variação periódica de brilho medida pelo TESS. A equipe propõe que o material pode ter sido expelido pela estrela durante sua evolução. O estudo na Nature Astronomy
A pista química nos dados do Hubble
O Hubble observou HS 0209+0832 em 10 de janeiro de 1999. Ao reexaminar o espectro ultravioleta arquivado, os pesquisadores associaram muitas linhas antes não identificadas a cobre e nióbio. Observações do FUSE, obtidas em 11 de dezembro de 2002, também registraram fortes sinais de nióbio.
A análise da matéria que a anã branca está absorvendo encontrou enriquecimento em elementos além do ferro, como zinco, cobre e nióbio. O silício aparece apenas em traços, e o ferro não foi detectado. Esse padrão é compatível com material ligado à evolução tardia de uma estrela, uma pista para a origem proposta do candidato.
A pesquisa foi liderada por Jamie T. Williams, da Universidade de Warwick. O Hubble, o FUSE e o TESS forneceram observações usadas no estudo; a NASA também publicou um resumo da pesquisa. A explicação da NASA descreve o candidato como um gigante gasoso de tamanho aproximado ao de Júpiter e aponta a perda de atmosfera sob a radiação da anã branca.
O que o TESS mediu
Nas observações do TESS, a curva de brilho combinada apresentou um sinal periódico de 4,399 ± 0,026 dias, com amplitude de 0,120% ± 0,018%. Esses valores descrevem a repetição e a intensidade da variação luminosa. O estudo considera duas explicações: mudanças na emissão térmica entre os lados diurno e noturno de um planeta, ou a passagem de uma cauda de material associada à evaporação de um gigante gasoso.
A equipe também modelou a possível perda atmosférica para planetas com raio igual ao de Júpiter: estimou cerca de 0,11 × 10¹³ gramas por segundo para uma massa de uma vez a de Júpiter e 1,43 × 10¹³ gramas por segundo para 13 vezes essa massa. São resultados de modelos para esses cenários, não taxas medidas no candidato.
Duas origens possíveis para o material
Na hipótese de segunda geração, matéria expelida pela estrela progenitora formaria um disco, onde um planeta poderia surgir. O estudo também considera outra possibilidade: um núcleo de planeta mais antigo, como o de um sub-Netuno ou de uma super-Terra, teria adquirido uma atmosfera formada a partir desse material.
As duas possibilidades ligam a composição observada à matéria expelida pela estrela, mas diferem na história do núcleo planetário: ele poderia ter se formado depois da estrela expelir material ou ser mais antigo e ter adquirido uma atmosfera posterior.